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- “No more massacres, police in the favelas, Israel in Palestine!”
Read it in English HERE, at Sul Books. Fotos e vídeos de Fabio Teixeira, 31 de outubro de 2025, no Rio de Janeiro. Dia 28 de outubro de 2025, o Rio de Janeiro se transformou numa zona de guerra . Uma megaoperação das forças de segurança do estado do Rio, envolvendo cerca de 2.500 policiais, foi deflagrada contra a facção criminosa Comando Vermelho . Pelo menos 132 pessoas foram mortas, tornando a operação policial a mais letal da história da cidade. Na madrugada do dia 29, mais de cinquenta corpos foram carregados por moradores e dispostos em uma praça pública no Complexo da Penha, para que os familiares pudessem tentar identificá-los – sem qualquer apoio do Estado. Muitos dos mortos chegaram apenas de cueca, anônimos. O protesto No dia 31 de outubro, um protesto pela paz reuniu moradores das favelas, jovens, familiares das vítimas, ativistas e defensores dos direitos humanos. A energia era urgente e intensa – faixas pedindo o fim do massacre, a identificação das vítimas e justiça para as favelas tremulavam ao vento. Mães e pais se sentavam nas calçadas, chorando, em silêncio, com a cabeça baixa. O trauma coletivo era palpável. As pessoas no Rio e nas comunidades vizinhas falam de choque e luto, mas também de raiva e determinação. O protesto foi uma declaração de que o governo não sairá impune dessa brutalidade. Exigiremos nomes, identificação e apoio jurídico para as famílias. Porque sem isso, não há justiça, apenas apagamento. O massacre expôs a forma como o Estado trata os corpos (e as vidas) de homens, em sua maioria jovens, negros e de baixa renda, moradores das favelas. Após a operação, autoridades governamentais a declararam um sucesso, mas os moradores percebem que essa estratégia assassina de operações policiais, que já dura décadas e que claramente só aumenta o número de vítimas, ainda não apresentou resultados. E nunca apresentará resultados no combate ao crime organizado, porque não aborda a raiz do problema: a subjugação sistêmica dos moradores das favelas e o racismo institucionalizado. Tudo o que faz é satisfazer uma ideologia supremacista e sanguinária de limpeza étnica e extermínio de um contingente da população que não é útil para a manutenção do sistema capitalista. Essas pessoas mortas são seres humanos e merecem dignidade, humanidade e direitos. De acordo com direitos humanos internacionais, o Estado tem o dever de identificar as vítimas, notificar as famílias, fornecer apoio jurídico e psicossocial e, o mais importante, conduzir uma investigação independente. Essas obrigações não são opcionais e ainda não foram cumpridas. A ausência dessa resposta, a falha em identificar adequadamente os mortos e o tratamento vergonhoso da situação como "bandido bom é bandido morto" sinalizam violência institucional em níveis sem precedentes. Sejamos claros: mesmo que todas as pessoas mortas nesta operação fossem membros de gangues (o que ainda não foi comprovado), isso não isenta o Estado de sua responsabilidade. São jovens, em sua grande maioria negros e moradores de favelas. Foram atacados, encurralados, baleados, esfaqueados, decapitados, sem julgamento ou devido processo jurídico. Quando um segmento da população (definido por raça e classe) é tratado como um inimigo a ser exterminado, estamos entrando no âmbito do genocídio. A narrativa oferecida pelo Estado, de que 'um morador de favela merece morrer porque faz parte de um Estado paralelo inimigo,' espelha outras narrativas genocidas em todo o mundo. Diz-se que os palestinos merecem morrer por causa do Hamas; os moradores de favelas merecem morrer por causa do crime organizado e de gangues como o Comando Vermelho. Até mesmo as armas usadas no Rio incluem fuzis de fabricação israelense (como o IWI Arad fornecido à Polícia Militar do Rio). Em ambos os casos, as pessoas são desumanizadas, privadas de direitos, excluídas da ordem simbólica. Essa é a lógica do genocídio, quando a violência é normalizada contra um outro indesejado. O que Lula disse O presidente Lula gerou controvérsia ao afirmar que os traficantes de drogas também são vítimas dos usuários; há pessoas que vendem drogas porque há pessoas que compram, e pessoas que compram porque há pessoas que vendem. A oposição disse que isso equivalia a banalizar o crime de tráfico. No entanto, a declaração aponta para algo mais profundo: o reconhecimento de que aqueles que são forçados a entrar na economia das drogas são, eles próprios, vítimas de um sistema de subjugação, desigualdade e consumo por parte dos privilegiados. No contexto deste massacre mais recente, a implicação é clara. Jovens reduzidos a bucha de canhão, lutando uma guerra sobre a qual tiveram pouca escolha, parte de economias informais geradas pela falta de oportunidades, enquanto os consumidores da classe média e da elite permanecem protegidos do escrutínio e consequência. As palavras do presidente deveriam nos levar a enxergar além do rótulo de "criminoso" ou "bandido" e perguntar: Por que tantas vidas são consideradas descartáveis nas favelas? Por que essa operação fracassa A lógica da megaoperação é cruelmente simples: usar força esmagadora, apreender armas e declarar vitória. Mas décadas de operações semelhantes no Rio e no Brasil mostram que isso não quebra o ciclo de crimes violentos. Pesquisas demonstram que a polícia do Rio mata mais pessoas em operações a cada ano do que a polícia dos Estados Unidos inteiro. O trauma dessa violência se espalha, famílias são destruídas, crianças ficam órfãs, comunidades aterrorizadas e desconfiadas. O protesto pela paz no Rio não se resume a essa única operação; é um grito contra décadas de policiamento militarizado, violência racial e negligência estrutural. Um apelo por justiça e humanidade Após os acontecimentos de 28 e 29 de outubro, as exigências são claras: Todas as vítimas devem ser identificadas; as famílias informadas; e deve ser fornecido apoio jurídico, financeiro e psicossocial. Uma investigação completa e transparente sobre como e por que as pessoas foram mortas. O fim das declarações que criminalizam comunidades inteiras em vez de abordar as causas profundas da desigualdade, do racismo, da falta de oportunidades, da marginalização, do consumo de drogas por parte dos privilegiados e da corrupção em instituições governamentais que encobrem má conduta e uso excessivo da força. O policiamento deve ser substituído por investimento social e pela reconstrução do contrato social para desmantelar suas estruturas de racismo institucional. Se esperamos que o mundo condene a violência em outros lugares, que defenda os chamados países 'civilizados' que respeitam os direitos humanos, devemos primeiro olhar para nós mesmos. A supremacia branca e a violência patrocinada pelo Estado continuam sua lógica genocida no Brasil, em Gaza, em todos os lugares. Para aqueles de nós que não foram diretamente afetados, a luta não acabou. Devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para apoiar as comunidades afetadas, exigir justiça e desafiar as narrativas de extermínio. Esta não é apenas uma crise no Rio; é um espelho que reflete o globo. Veja mais fotos aqui. _____ Mirna Wabi-Sabi é escritora, editora da Sul Books e fundadora da Plataforma9 . Ela é autora do livro Anarco-transcriação e produtora de diversos outros títulos pela editora P9 .
- War in Rio: the inequality of visibility and legal protection among those killed in a police operation
"According to international human rights standards, to which Brazil is legally bound, every death occurring in security operations must be registered, investigated, and accompanied by complete identification of the victims." On October 28th, 2025, at least 119 people were killed in Rio de Janeiro in the deadliest police operation in the state's history. The gang retaliated with drones, explosives, and barricades. The number of deaths, the environment of densely populated favelas, and the fact that many of the dead are still unidentified raise questions about how, who, and under what circumstances they died. The bodies of the deceased were denied the presence of family members and forensic examination, tied with nautical ropes and transported in pickup trucks to the Getúlio Vargas hospital, and from there to the Forensic Medical Institute. The fact that only the police officers are named highlights an inequality of visibility and legal protection among those killed in the operation, influences the media narrative, and raises serious questions about human rights, justice, and journalistic ethics. By being officially named, the deceased police officers are immediately recognized as victims by the State, which guarantees their families quick access to pensions, compensation, and legal assistance — benefits that are denied to the families of the unidentified dead. The ethical, legal, and political problems of calling unidentified deceased individuals 'thugs' The presumption of guilt without trial When a person is called a thug after an operation, it is an attribution of guilt without due process. But in a state of law, no one should be considered guilty until proven otherwise. In many of these operations, deaths occur without arrests, investigations, or trials — therefore, it is impossible to determine who the deceased actually were. The erasure of the humanity of the dead Reducing dozens of people to mere criminals is a form of dehumanization. The dead cease to be recognized as citizens, parents, children, siblings, or residents of communities, and become an abstract and disposable category. This facilitates the social acceptance of police violence and the silence surrounding summary executions. The reinforcement of social and racial inequalities In practice, the term "thug" ( bandido ) is usually applied to Black and poor people from the outskirts of cities. This generalization legitimizes the selective killing of certain social groups. In other words, the word is not neutral; it is part of a power structure that naturalizes state violence against specific territories. Transparency and accountability are compromised While authorities label the deceased as "criminals," independent investigations are rarely conducted. This obstructs the pursuit of police accountability, prevents the identification of victims, and violates international human rights laws. Public opinion shaped Language shapes social perception. When the press or the state uses the term "thugs" to describe only one side of those involved in urban violence, the public tends to accept massacres as legitimate operations, even without evidence or context. This creates a narrative of war, in which certain citizens are treated as enemies of the people. According to international human rights standards, to which Brazil is legally bound, every death occurring in security operations must be registered, investigated, and accompanied by complete identification of the victims. This obligation is stipulated in the UN Minnesota Protocol (2016), the UN Basic Principles on the Use of Force (1990), and the American Convention on Human Rights (OAS). These documents determine that, in any state operation, it is illegal to classify deceased persons as "unidentified" without a formal investigation and without notification to the families. Under international law, it is the State's responsibility to guarantee transparency. As of the closing of this note, the operation in Rio does not comply with these requirements. There is no public list of victims by name, nor an official report on the circumstances of their deaths, which could qualify as a breach of signed treaties and possible instances of extrajudicial executions if there is no independent investigation. ____ Bodies in the Square October 29, 2025 Residents of the Penha Complex rescued at least 50 bodies from the Serra da Misericórdia (Compassion Mountain Range, ironically) in the early hours of October 29th and placed them in São Lucas Square. There, family members tried to identify their loved ones before the Forensic Medical Institute collected them. When residents are forced to recover bodies on their own, pile them in a public square, and improvise a kind of collective identification before the arrival of the State, it is evident that the State produces death to maintain domination. It has no commitment to the lives of the population it considers marginal and enemy, acting with brutality to 'reconquer territory.' The State seeks to 'reconquer territory' and deny rights to those who live on the margins not because these territories are a threat to society, but because they represent a threat to their model of power and control over society. War as a Method of Social Discipline Each operation fulfills a strategic function of: – Preventing collective mobilization, repressing community leaders and criminalizing any autonomous organization; – Fragmenting networks of solidarity, producing distrust and sabotaging collective initiatives; – Instilling trauma and fear, using terror as a method to paralyze political action; – And legitimizing permanent police occupation, transforming marginalized areas into zones of exception where rights are suspended and military presence is normalized. This mechanism keeps poor and racialized territories under surveillance and subjugation, making social resistance impossible and ensuring the continuity of the economic and political interests that depend on this structure of oppression. Government institutions create conditions for the economic extraction and political control of these populations, by neutralizing class conflicts and protecting the circulation of capital. What happened in the Penha Complex this morning goes beyond a humanitarian tragedy. It is a declaration of the true interest of government institutions, which act not to protect lives, but to manage death and profit by denying rights to those who live on the margins. ____ Written by Mirna Wabi-Sabi Photographed by Fabio Teixeira ____ [Editorial note: Number of casualties updated.]
- The Rise and Fall of U.S. Economic Influence over Brazil
"Here in the Western Hemisphere, we are committed to maintaining our independence from the encroachment of expansionist foreign powers. It has been the formal policy of our country since President Monroe that we reject the interference of foreign nations in this hemisphere and in our own affairs." ( Remarks by President Trump in 2018 ) Demonstration against Trump's tariffs, August 1st, 2025. In front of the US Consulate, Rio de Janeiro downtown area. The early relationship between Brazil and the United States was shaped by a mixture of diplomatic opportunism, ideological alignment, and economic interest. A key instrument of that relationship was the Monroe Doctrine, announced in 1823 , which declared that the Americas were no longer open to European colonization or intervention. While this policy meant to deter European monarchies from interfering in the newly independent republics of Latin America, it had a longer-term strategy of gradual replacement of European influence in Latin America with the United States'. In Brazil’s case, even though its independence from Portugal took the form of a constitutional monarchy rather than a republican revolution, the U.S. was the first country to recognize Brazilian independence in 1824, signaling a desire to include Brazil in its sphere of influence. In the 19th century, Brazil remained economically tied to the British Empire, which financed infrastructure like railroads and dominated trade in commodities like coffee and sugar. The U.S., meanwhile, was a rising power looking to expand its commercial reach. The Monroe Doctrine provided a rhetorical and ideological framework for that expansion, positioning the U.S. as the guardian of freedom and independence in the Western Hemisphere. Yet in practice, it meant paving the way for U.S. economic influence. Over time, Brazil and the U.S. began aligning more closely, not only politically (as seen during WWII, when Brazil sent troops to fight alongside the Allies ), but also economically. U.S. corporations entered Brazil’s energy, agriculture, and resource extraction sectors in increasing numbers by the mid-20th century. While the Monroe Doctrine initially functioned as a warning to Europe, it evolved into a justification for U.S. regional dominance. Especially during the Cold War, the doctrine underwrote coups, economic policy enforcement, and military assistance designed to keep Latin American countries within the U.S. orbit. Brazil’s 1964 military coup had U.S. support and led to decades of dictatorship under a regime that welcomed U.S. capital and trade , especially in energy and mining sectors. This period saw the consolidation of a U.S.-dependent economic model, centered on exports of primary goods, low-cost labor, and foreign direct investment (FDI) , often at the cost of economic sovereignty. Merging Markets and Resource Integration From the 1990s onward, under neoliberal globalization, Brazil’s economy became increasingly integrated with that of the United States. This was reinforced through policies encouraging privatization, deregulation, and trade liberalization. Brazilian agribusiness boomed with U.S. investment and exports, while major multinationals expanded their footprint, especially in oil (like Chevron ), energy, and consumer goods. U.S. influence had effectively replaced European dominance in Brazil’s external relations, in line with the Monroe Doctrine’s long arc. The result was a structural dependency – Brazil remained a commodity-exporting economy dependent on volatile international prices and external capital, particularly from the U.S. and China. With limited control over technological development or industrial policy, Brazil sees itself in a paradigm of neocolonialism through economics rather than armies. Pro-Bolsonaro Demonstration, August 3rd, 2025. Copacabana Beach, south zone of Rio de Janeiro. Is the Trump Era Reaffirming or Reversing the Monroe Doctrine? With the election(s) of Donald Trump, a shift has occurred. His administration, under the banner of “America First,” began to retreat from some of the key principles of U.S. foreign economic policy. Trump imposed tariffs on Brazilian steel and aluminum , citing national sovereignty and job protection. He also reduced support for multilateral trade agreements, withdrew from global environmental commitments, and promoted economic nationalism that implicitly contradicted the free-market globalization pushed by previous U.S. administrations. This marked a partial reversal of the Monroe Doctrine's economic logic. Instead of expanding U.S. markets abroad and integrating the Americas under U.S. leadership, Trump sought to protect U.S. industries from competition, even from allied countries like Brazil. It was an effort to reduce American dependency on foreign resources – a stark contrast to the century-long strategy of extracting them through Latin American trade. In part, this reversal was driven by domestic political pressures. Deindustrialization in the U.S. , especially in the Rust Belt, led to resentment toward free trade. Trump's base sees economic globalization as having harmed U.S. workers while enriching elites and foreign powers. Cutting ties with traditional trade partners, even at the cost of international goodwill, was framed as a path to restoring U.S. American strength. On one hand, Trump's tariffs and retreat from free trade weakened Brazil’s export channels, especially for industrial products. The agricultural sector also faced new vulnerabilities, although China absorbed some of the trade. On the other hand, Trump's policies are forcing Brazil to reconsider its structural dependency on the U.S. This could be an opportunity for Brazil to develop more autonomy and to invest in self-sufficiency. Breaking free from dependency is difficult, especially while China becomes a new dominant force in Brazil’s trade relations, especially in soy, iron ore, and oil . The question becomes not whether Brazil depends on the U.S., but whether it is simply switching from one hegemon to another. Many pro-U.S. Brazilians, particularly those on the right or in business circles, paradoxically supported Trump despite his protectionist measures. This support is often ideological, coming from admiration for Trump's strongman style, anti-China stance, or conservative social values. There is also a belief among some elites that aligning with the U.S., regardless of policy inconsistency, provides geopolitical and economic stability. They may see Trump as a model for breaking ‘globalist’ constraints or strengthening national identity – even if that means accepting economic damage in the short term. In contrast, anti-U.S. Brazilians, often on the left, oppose Trump's policies not because they sever Brazil’s dependency, but because they do so on U.S. terms, unilaterally and without offering Brazil alternatives. These critics fear that economic nationalism in the U.S. will destabilize Brazil’s export sectors, undermine the fragile capitalist balance, and weaken any remaining leverage Brazil has in global markets. Ironically, this opposition can lead to a defense of globalized trade frameworks, which also reproduce Brazil’s dependent position. While the Monroe Doctrine was born as a rhetorical shield against European colonialism, it became a tool for American expansion. Brazil, as a relatively autonomous imperial power in the 19th century, was eventually folded into the broader U.S.-led economic order. Over two centuries, U.S. policy shaped Brazil's role in the global economy as a supplier of resources and a site of investment, often at the expense of national development. Trump’s economic nationalism disrupted this trajectory – not by empowering Brazil, but by withdrawing the American hand. For Brazil, this creates both risk and opportunity. The collapse of old patterns may open space for greater sovereignty, but only if Brazilians have the vision and coordination to act on it. Without that, the vacuum left by the U.S. may simply be filled by another power, repeating the same cycle under a different flag. Written by Mirna Wabi-Sabi Writer and editor. Author of the books “Anarcho-Transcreation” and “Seeds and Tales.” Photographed by Fabio Teixeira Photojournalist winner of the King of Spain Award for International Journalism.
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- Página de erro 404 | P9
Bilingual editing and advisory. Assessoria bilíngue de edição. Error There is nothing here. The page you are looking for was not found. Check the URL or go back to the Homepage. Go to Home
- P9 | Alfabetização Midiática
Curso de Alfabetização Midiática online, gratuito. O que é alfabetização midiática? Uma vez que desenvolvemos a capacidade de ler e escrever (que é a alfabetização), podemos desenvolver a capacidade de consumir e produzir mídia em plataformas com audiências massivas (alfabetização midiática). EN Alfabetização Midiática O que é alfabetização midiática? Da mesma forma que aprendemos a ler e escrever textos, podemos aprender a interpretar conteúdos online. A leitura e a escrita são, de certa forma, ferramentas de consumo e produção de conteúdo, mas no privado. A mídia é o meio de divulgação em massa desse conteúdo. E para se comunicar com um grande número de pessoas, vários meios diferentes podem ser usados, como rádio, publicações impressas e internet. A mídia na Internet é disseminada por meio de sites, e esses sites são plataformas para conteúdo de mídia. Este conteúdo tem um endereço: um link. Uma vez que temos a capacidade de ler e escrever (que é a alfabetização), temos a capacidade de consumir e produzir mídia em plataformas com audiências massivas (alfabetização midiática). A alfabetização midiática não é amplamente ensinada, não apenas na era da internet. Geralmente não somos ensinados como os livros são publicados, os rádios são transmitidos ou como os sites são construídos. Esse conhecimento costumava ser reservado a profissionais dessas áreas, até que as mídias sociais democratizaram a distribuição em massa de conteúdo pessoal (para o bem ou para o mal). Agora, mais do que nunca, a alfabetização midiática é uma necessidade para todas as pessoas, de todas as idades. Abaixo você encontra um minicurso, que consiste em um checklist sobre o que buscar ao consumir conteúdo online. A produção daqueles que preencheram esta lista de verificação é apresentada coletivamente na seção 'resultados', com gráficos, mapas e bancos de dados. Por meio desse processo, nos treinamos para buscar informações relevantes e ver nosso consumo individual de conteúdo online em um contexto mais amplo – o contexto online global em que nos encontramos. FORMULÁRIO RESULTADOS A HISTÓRIA Desde a invenção da prensa móvel Alemã no século XV, que gerou o método de disseminação de mídia replicável em grande escala e revolucionou o consumo de informação, há notícias falsas. Era muito comum que essas notícias falsas fossem direcionadas contra um contingente minoritário ou marginalizado pela hegemonia ocidental, como judeus, indígenas, negros e negras. Às vezes inventavam atrocidades cometidas por membros ‘indesejáveis’ da sociedade. Outras vezes escondiam e questionavam atrocidades cometidas por membros ‘desejáveis.’ Em outras palavras, uma mídia enganosa é uma que não só mente, mas também omite. Por causa da presença contínua de falsidade na mídia nos últimos cinco séculos, muitos jornalistas gostam de falar que ‘fake news’ não é novidade — mas é. O termo ‘fake news’ diz mais sobre a era midiática na qual nos encontramos, do que da prática de disseminação de desinformação. Informações falsas sempre circularam pela mídia, mas hoje circulam de uma maneira particular, com o uso de novas ferramentas tecnológicas, como impulsionamentos em mídias sociais e bots. Na primeira metade do século XX, o primeiro ‘barão da mídia’ brasileiro, Assis Chateaubriand, ameaçava destruir a reputação de pessoas e empresas com notícias falsas em troca de dinheiro (chantagem, basicamente). Hoje, os avanços tecnológicos mudaram significativamente o formato em que essas notícias falsas são disseminadas, e por quem. WhatsApp, Facebook, Twitter, Telegram, Instagram são formatos sem precedentes de divulgação de mídia. A maioria das pessoas pode produzir conteúdo de mídia, e a maioria das pessoas que pode, faz isso constantemente. Quando vemos notícias em uma dessas plataformas, também vemos quem e quantas pessoas reagiram a elas, o que influencia não apenas o que sentimos sobre as notícias, mas também sobre os outros que as consomem — tudo instantaneamente. Podemos acreditar ou parar de acreditar, dependendo de quem ou quantos ‘compartilharam’, ou ‘curtiram’. Quando falamos de ‘quem’, basta que uma pessoa famosa ou com credibilidade acredite e ‘compartilhe’ para que “um rebanho desorientado” (Chomsky em seu livro “Midia: Propaganda Política E Manipulação”) siga. É aqui que entram os ‘influenciadores.’ Quando falamos de ‘quantos’, um número alto de compartilhamentos ajuda a publicação a alcançar um público mais amplo, parecendo relevante para os algoritmos de mídia social e para as pessoas que a veem. É aí que os bots são usados. Aqui está um exemplo de notícia mentirosa, sensacionalista e oportunista das últimas 2 décadas. Aqui (Abcnews.com.co) está um exemplo de ‘fake news.’ Uma vem de uma plataforma que ainda existe e mentiu. A outra (Abcnews.com.co) nem existe como plataforma, finge ser uma coisa que não é. Nunca acharíamos este link por conta própria, ele é criado para ser realista no Facebook. Sites de ‘fake news’ tem o intuito específico de comprar impulsionamentos em mídias sociais. [Note que não usei hiperlink para a ‘fake news’, porque não quero minha menção como ‘backlink' ou como influência no PageRank.] A VERDADE O conceito de verdade parte da nossa subjetividade, depende da perspectiva de cada um. Portanto, toda a mídia produzida por alguém é um resultado da subjetividade desta pessoa. É preciso estar em contato com sua própria subjetividade, para poder discernir a veracidade da produção midiática dos outros. Mais importante do que achar as respostas, é fazer as perguntas certas. Tudo bem se você não achar as respostas para todas as perguntas. O importante é procurar saber, porque às vezes, não achar a resposta é uma informação valiosa. Será que a plataforma está sendo tão transparente quanto poderia ser? Mentiroso ou Enganoso? Uma mentira é quando, por exemplo, um autor inventa informação. Um autor pode ser enganoso sem inventar coisa alguma. Basta selecionar informações verdadeiras, mas descontextualizadas, e usar ferramentas sensacionalistas para provocar uma certa emoção na audiência. Geralmente, cursos de alfabetização midiática focam em como identificar linguagem jornalistica objetiva e neutra, porém, isso não existe. Nem sempre é fácil discernir ferramentas sensacionalistas e enganosas de métodos eficazes de atingir uma audiência através da mídia. As ferramentas mais identificáveis, mesmo que subjetivas, são: – Música dramática. – Imagens e palavras chocantes. – Pontos de exclamação. – Títulos que causam medo, e passam pouca informação. – Textos que falam diretamente com você. O foco em uma diretriz ou lista de verificação sobre como identificar fake news pode nos tornar ainda mais vulneráveis a elas. Porque a diretriz logo se torna uma ferramenta eficaz para divulgá-las. Por exemplo, se eu falar: “confie apenas em jornais que não usam pontos de exclamação nos títulos”, essa diretriz pode ser usada por qualquer plataforma enganosa para ganhar sua confiança. Uma ferramenta muito mais forte do que decorar características identificáveis de fake news é ter um senso claro de seus próprios valores e objetivos políticos. ‘Fake News’, ‘bots’ e pessoas interessadas em usar essas ferramentas para manipular uma audiência, focam em pessoas ‘influenciáveis’. Isso não necessariamente significa pessoas que estão em cima do muro, as dogmáticas são ainda mais influenciáveis, porque suas referências de verdade estão fora delas mesmas. É por isso que a busca por sua própria verdade é fundamental para tornar as fake news ineficazes, o que é a maneira mais eficaz de combatê-las. O pensamento, a fala, e a ação devem ser unidos, assim como suas ideias, o que você compartilha com os outros e como você vive sua vida. Este é um exercício de equilíbrio — estar aberto a aprender coisas novas, sem perder de vista sua própria verdade e experiências de vida. A AUDIÊNCIA Quando produzimos mídia, pensamos em um público alvo para que ela seja eficaz na entrega da mensagem. Um jornal, por exemplo, tem uma audiência, e os valores de cada existem em simbiose. O processo de alfabetização midiática envolve a análise dos valores das instituições e/ou pessoas que produzem mídia, a partir do reconhecimento de nossos próprios valores como audiência. Muitas pessoas que produzem mídia na ‘internet’ não são honestas, ou transparentes sobre seus valores e intenções. Existem táticas midiáticas que visam manipular uma audiência específica, que usam ferramentas que provocam emoções direcionadas. A Arte tem o intuito de provocar emoções; a escrita acadêmica tem o intuito de ser validada. Estas são ferramentas que podem ser usadas de forma sutil, exagerada, eficaz, manipuladora, mentirosa, enganosa, etc. A nossa análise de como essas ferramentas são usadas depende do nosso entendimento de como nós mesmos as usamos, e por quê. O que constitui um conteúdo acessível para o público geral? Para um conteúdo ser acessível, ele precisa poder atingir a audiência que se propõe a atingir. Por exemplo, para um vídeo poder atingir uma audiência do Instagram, ele precisa durar no máximo um minuto, porque esta é (ou era) a limitação da plataforma que essa audiência visita. Como identificar se um texto se propõe a atingir uma audiência leiga, e não só uma especializada? Uma pessoa que não é especialista e não tem interesse em se especializar em uma certa área de estudo passará menos tempo lendo sobre o assunto. Portanto, textos acessíveis para essa audiência devem ser curtos. Textos curtos ‘online’ não precisam de resumo, sumário, seções numeradas, etc. Nem sempre um texto longo é inacessível. Outra forma de identificar o nível de acessibilidade é reconhecer excesso de citações/referências, geralmente redirecionando o leitor a outros textos ainda mais longos e acadêmicos. Requisitos acadêmicos refletem a audiência que a autoria se propôs a atingir. Siglas e termos específicos têm a mesma função. Para atingir uma audiência leiga, é preciso definir termos e descrever siglas que geralmente não estão presentes no vocabulário de pessoas fora da academia. (Detran, por exemplo, não é uma sigla que precisa ser descrita, mas IEA sim.) GLOSSÁRIO ‘Bot’ (nas mídias sociais) – “é um agente que se comunica de maneira mais ou menos autônoma nas mídias sociais, geralmente com a tarefa de influenciar o curso da discussão e/ou as opiniões de seus leitores. Está relacionado aos chatbots, mas geralmente utiliza apenas interações simples ou nenhuma reatividade.” (Wikipedia) Dogma – “um princípio ou conjunto de princípios estabelecidos por uma autoridade como uma incontroversa verdade”. (Idiomas de Oxford) ‘Fake News’ – “é uma forma de notícia que consiste em desinformação deliberada ou trotes espalhados através da mídia tradicional ou da mídia social online.” (Wikipedia) Mídia – “os principais meios de comunicação de massa (transmissão, publicação e Internet) considerados coletivamente.” (Idiomas de Oxford) Mídias sociais – “sites e aplicativos que permitem aos usuários criar e compartilhar conteúdo ou participar de redes sociais.” (Idiomas de Oxford) Público-alvo (na mídia) – “Um público-alvo da mídia pode ser tão pequeno quanto uma pessoa lendo uma revista ou tão grande quanto bilhões de pessoas em todo o mundo assistindo a eventos, como o 11 de setembro, acontecerem ao vivo na televisão. O público-alvo tem um relacionamento complexo com os produtos que consomem.” (Ministério da Educação da Nova Zelândia) Sensacionalismo – “(especialmente no jornalismo) o uso de histórias ou linguagem emocionantes ou chocantes à custa da precisão, a fim de provocar interesse ou excitação do público.” (Idiomas de Oxford) Formumário Resultados
- P9 | Policies ◣ Políticas
Plataforma9 publishes articles about strategies and analyses to combat social and economic injustice, white supremacy and the patriarchy. P9's mission is to use narrative to spark constructive shifts in our troubled world. Nossas Políticas ◣ Our Policies Nossos Princípios ◣ Our Principles Nossos interesses orbitam estratégias de combate às injustiças sociais e econômicas, à supremacia branca e ao patriarcado. Através da disseminação da produção intelectual de pessoas marginalizadas, e da formação midiática necessária para a criação de conteúdo, acreditamos que mudanças essenciais podem ser alcançadas na sociedade. ___________ Our interests orbit strategies to combat social and economic injustices, white supremacy and the patriarchy. Through the dissemination of the intellectual production of marginalized peoples, and the media production training necessary for the creation of content, we believe that essential changes can be achieved in society. Privacidade & Segurança ◣ Privacy & Safety A Plataforma9 não cede ou vende dados pessoais de clientes, ou parceiros, a outras companhias, indivíduos ou corporações. Você pode sempre entrar em contato conosco com um pedido de acesso, edição ou remoção de seus dados pessoais da nossa plataforma. Informações compartilhadas nas mídias sociais podem ser usadas para identificar uma audiência com interesses compatíveis com os nossos. ___________ Plataforma9 does not give or sell the personal data of our clients or partners to any other company, individual or corporation. You can always contact us with a request to access, edit, or remove your personal data from our platform. Information shared on social media can be used to identify an audience with interests compatible with ours. Revendas e Atacado ◣ Wholesale Inquiries Entre em contato conosco para saber mais sobre opções de compra em grande escala e revendas. ___________ Get in touch with us to know more about our wholesale options. Payment Method Métodos de Pagamento ◣ Payment Methods Boleto / Cartões de crédito e débito brasileiros / PayPal Internacional / PIX ___________ PayPal / Brazilian Credit or Debit Cards









