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  • Fernanda Young: O Feminismo Alimenta o Machismo?

    Fernanda Young, em sua análise sobre o feminismo, ignorou variáveis que não a serviam em sua viajem pelo controverso de alto ibope. [Este artigo foi publicado em fevereiro de 2020, no site da Inimiga da Rainha.] Fernanda Young foi uma escritora e roteirista da Globo com seu marido. Ano passado [2019], ela faleceu inesperadamente, deixando três filhas e um filho. Esse ano [2020], me deparei com o livro dela de dois anos atrás, “Pós-F: Para além do masculino e feminino,” na Livraria Cultura em São Paulo, e me surpreendi com sua falta de tato em relação ao feminismo. Sua morte, mesmo sendo trágica, não pode se tornar uma oportunidade para ignorar seu legado problemático na construção de um pensamento coletivo Brasileiro onde o feminismo é difamado. Fernanda Young foi uma Rainha que deturpou conceitos abordados por muitas Inimigas do sistema que vieram antes dela. No sistema patriarcal, o homem também sofre, e isso não quer dizer que vamos descartar o feminismo. Mulheres feministas negras abordam o tema dos homens sofrerem neste sistema há décadas. Porém, eu diria que ‘homens sofrem também’ é usado para descartar o feminismo da mesma forma que ‘brancos são pobres também’ é usado para descartar o racismo. A escrita de Young é gostosa, mas a linha de raciocínio é vergonhosa. Ainda bem que no prefácio ela admite: “Achava que deveria partilhar a minha liberdade, inclusive de falar merda — coisa para qual tenho uma técnica, e afeto.” Mas é muita merda mesmo. Começando com: “O feminismo alimenta o machismo.” O machismo existia antes do feminismo, e se alimentava como? Vamos falar de todas as outras coisas que de fato alimentam o machismo? Como, por exemplo, muitos programas de TV…? Se não, nos afundamos na lógica que leva muitos a serem contra a vacina porque já aconteceu [talvez] que causou autismo em alguém. Já aconteceu que uma mulher mentiu e levou alguém a rejeitar o feminismo? Provável. Mas isso explica o machismo? Não. Isso justifica ignorar e rejeitar todos os exemplos de como o feminismo já salvou muitas vidas? Também não. Outro absurdo no livro dela é a transfobia. Para Young só existiam dois gêneros, e querer “mudar de sexo” era uma “precipitação,” porque a sexualidade não precisa disso — basta explorar melhor o seu corpo. É muita ignorância; está claro que ela se preocupou em escrever sobre pessoas trans sem nunca se preocupar em conversar com uma. Conversar e ouvir. Que editor passou o olho naquele capítulo e não se lembrou de avisar que sexualidade e identidade de gênero são coisas diferentes? Talvez tentaram em vão, recebendo a resposta: ‘Censura, jamais!’ E continua… Fernanda diz que já teve namorada e teve amigos gays, então homofobia não é a questão — se precisa ser falado, amigas, já deu ruim. A nudez da mulher virou um tópico contorcido. Para Young, na arte ela deveria ser vista como empoderadora. Porque evidentemente a mulher é “mais bela e interessante” do que o homem. Não querer ser rotineiramente retratada de forma sexualizada não significa machismo internalizado e rejeição do feminino. Por outro lado, se você usa “biquíni enfiado na bunda” tem que esperar receber cantada, como se não fosse assédio, porque é mais vulgar do que a nudez. Essa conclusão vem da premissa de que a nudez é arte e biquininho é erótico, que nos traz a questão mal resolvida de classe. O corpo sofisticado merecedor de admiração, versus o corpo vulgar merecedor de erotização. Além de classismo, a branquitude do texto emana quando ela fala dos horrores de ter que participar de reuniões de condomínio e de sua revolta contra o trabalho doméstico. Além disso, ela fez questão de dedicar um capítulo inteiro ao dado de que mulheres a assediavam mais do que homens, chamado “tudo agora é assédio.” A experiência pessoal de Young diz muito mais sobre ela do que sobre o comportamento dos outros. Será que ela contestaria os dados indicando que homens cis estupram e matam consideravelmente mais do que mulheres? Será que precisamos dos dados para saber que isso é verdade? Estes questionamentos não cabem na linha reta de raciocínio em direção à deslegitimação do feminismo. Minha discordância não é uma agressão, mas uma defesa de uma luta que não é de uma minoria. Até concordo com as críticas ao #feminismo diluído no fluxo das redes sociais. Mas devemos estar atentos a conclusões baseadas em uma única premissa duvidosa. Fernanda Young, em sua análise sobre o feminismo, ignorou variáveis que não a serviam em sua viajem pelo controverso de alto ibope. ______ texto: Mirna Wabi-Sabi

  • Fukuoka: ‘Não há lugar melhor do que este mundo’

    Aos meus leitores, Não há lugar melhor do que este mundo. Anos atrás, percebi que nós, seres humanos, somos bons exatamente como somos e decidi aproveitar a vida. Segui um caminho despreocupado de volta à natureza, livre do conhecimento e do esforço humanos. Desde então, cinquenta anos da minha vida se passaram voando. Tive alguns sucessos, mas também fracassos. Muitos dos meus sonhos de juventude permanecem não realizados. Sei que meu tempo aqui na Terra é limitado. Agora estou aposentado e vivo em uma cabana na montanha, em meio ao pomar. Fechei minha fazenda ao público para que eu possa aproveitar melhor o tempo que me resta. A melhor parte de viver uma vida de aposentado na montanha, isolado das notícias do mundo exterior, é que tenho uma percepção diferente do tempo. Espero, com o passar dos dias, poder vivenciar um dia como se fosse um ano. Então, como as pessoas das tribos que conheci na Somália, não saberei quantos anos tenho. Ultimamente, tenho tentado imaginar que tenho cem anos… ou até duzentos. Espero que, quando eu partir, minha mente e meu corpo ainda estejam em boas condições. Quando vou para o campo ou para o pomar, digo a mim mesmo: não faça promessas, esqueça o ontem, não pense no amanhã, dedique-se sinceramente ao trabalho de cada dia e não deixe pegadas aqui na Terra. Sou feliz simplesmente por trabalhar com alegria na minha fazenda, que para mim é o Jardim do Éden. O caminho da agricultura natural é para sempre incompleto. A natureza jamais poderá ser compreendida ou aprimorada pelo esforço humano. No fim, para se tornar um com a natureza, para viver com Deus, não se pode ajudar os outros nem receber ajuda deles. Só podemos trilhar nossos caminhos sozinhos. Grande estrada sem portão, não vejo ninguém Paz no Céu, apenas um murmúrio na terra Quem faz o vento errante? Para a esquerda, para a direita Ataque e defesa Sem saber o bem do mal Um ventilador sopra para os dois lados, causando a mesma confusão Enquanto caminho sozinho pelo jardim, vejo uma cabana improvisada Um dia equivale a cem anos O daikon e a mostarda estão em plena floração A lua brilha fracamente no ano dois mil Tendo me esforçado ao máximo neste mundo, inicio agora minha jornada para outro mundo Uma viagem passageira para sabe-se lá onde Masanobu Fukuoka Início da Primavera, 1986 [Tradução por Mirna Wabi-Sabi, Outono, 2026. Direitos Reservados — Plataforma9.] A Revolução de Uma Palha ganha primeira edição oficial no Brasil e chega com circuito entre Rio e São Paulo Clássico da Agricultura Natural, livro de Masanobu Fukuoka será lançado com eventos, oficinas e debates em maio e junho Após décadas circulando no Brasil em traduções informais, o clássico A Revolução de Uma Palha ganha sua primeira edição oficial brasileira no Outono de 2026. Referência mundial da Agricultura Natural, o livro de Masanobu Fukuoka chega acompanhado do Circuito da Agricultura Natural, série de cinco encontros entre Rio de Janeiro e São Paulo, entre maio e junho. Publicado originalmente nos anos 1970, o livro sintetiza a experiência radical de Fukuoka, que abandonou a carreira científica para desenvolver um método agrícola baseado no não-fazer e na não-intervenção: sem arar, sem adubos químicos, sem agrotóxicos, sem degradar a terra. Seus resultados, mais eficientes do que os da agricultura convencional, transformaram a obra em um marco global da agroecologia e da crítica ao modelo industrial de produção de alimentos. A edição brasileira foi produzida pela Plataforma9 e a Trovão Tropical, e traduzida por Mirna Wabi-Sabi a partir da versão em inglês de Larry Korn, discípulo de Fukuoka. Além dos lançamentos e rodas de conversa, o circuito contará com oficinas de bombas de sementes e trocas de sementes nativas, propondo a Agricultura Natural não apenas como teoria, mas como prática acessível em contextos urbanos e rurais. Programação Rio de Janeiro 22/05 — Janela Livraria (Jardim Botânico), 19h Mesa de conversa com Matheus Pockstaller (Trovão Tropical) e Mirna Wabi-Sabi. 28/05 — Travessa Icaraí (Niterói), 18h30 Apresentação e bate-papo com Mirna Wabi-Sabi, Matheus Pockstaller e convidado. São Paulo 06 e 07/06 — Japan House (Av. Paulista), 11h e 15h Oficina de Bomba de Sementes. 11/06 — Bibla Livraria (Vila Madalena), 19h Lançamento com mesa — Claudia Visoni (Horta das Corujas), Matheus Pockstaller e Mirna Wabi-Sabi. 13/06 — Livradia Expressão Popular/Armazém do Campo (Campos Elíseos), 15h Mesa de Debate com Thiago Luiz (Guardião de Sementes), Mirna Wabi-Sabi e Matheus Pockstaller. Masanobu Fukuoka (1913–2008) Agricultor, microbiologista e filósofo japonês, mundialmente reconhecido como precursor da Agricultura Natural e autor da obra seminal A Revolução de Uma Palha. Rejeitando os métodos agrícolas modernos dependentes de produtos químicos e maquinário pesado, ele desenvolveu o método “do-nothing” (não-fazer), baseado na intervenção humana mínima e na observação profunda dos ecossistemas. Sua filosofia, que integra práticas agrícolas a princípios espirituais e ecológicos, inspirou gerações no movimento da permacultura e continua sendo um pilar fundamental para a agricultura sustentável e a regeneração da terra em todo o mundo. Mirna Wabi-Sabi Editora, pesquisadora e anarco-transcriadora. Dirige a Plataforma9, editora independente focada em publicações que cruzam política, ecologia e linguagem. Assina a tradução de A Revolução de Uma Palha — a primeira edição oficial em português do Brasil. Voz editorial e política. Matheus Pockstaller Agricultor sintrópico, pesquisador e co-fundador da Trovão Tropical. Cresceu em São Conrado, às bordas da Floresta da Tijuca, e há oito anos desenvolve sistemas agroflorestais no Rio de Janeiro. Especialista em regeneração de solo, preservação de sementes crioulas e manejo de abelhas nativas. Voz técnica, filosófica e de campo. Sobre a Trovão Tropical Um laboratório agroecológico e estúdio criativo sediado no Rio de Janeiro, fundado por Carolina Latini e Matheus Pockstaller. Opera o Lote 18 — laboratório vivo de agrofloresta em São Conrado, no Maciço da Tijuca — e apoia o projeto Horta na Favela, na Rocinha. Articula ecologia, cultura e design como alternativa concreta ao Antropoceno. Entre seus projetos está o Seeds Collective, uma iniciativa de pesquisa e catalogação artística de sementes florestais e crioulas guardadas por gerações por pequenos produtores, povos indígenas e comunidades quilombolas em todo o Brasil. Instagram: @trovao_tropical | @seedsandtales_ contato@trovaotropical.com Sobre a Plataforma9 Uma iniciativa editorial que realiza publicações políticas multilíngues, dirigida pela escritora e anarco-transcriadora Mirna Wabi-Sabi. Dedicada à inovação em comunicação multilíngue impressa e digital, publica livros bilíngues, artigos de não ficção e análise política, séries fotojornalísticas e cursos de alfabetização midiática. A missão da Plataforma9 é utilizar a narrativa para desencadear mudanças construtivas na sociedade. Instagram: @plataforma9p9 | plataforma9p9@pm.me

  • Por que o clássico 'A Revolução de uma Palha' do Fukuoka nunca foi publicado no Brasil? Até agora...

    Durante décadas, A Revolução de uma Palha (1975), um livro do microbiologista e agricultor japonês Masanobu Fukuoka, circulou no Brasil de forma extraoficial. A edição de Portugal, de uma editora que não existe mais chamada Via Óptima, se tornou a principal referência entre agroecologistas, permacultores, agricultores familiares, estudantes e leitores interessados em ecologia. Porém, a agência literária que representa a família de Fukuoka não reconhece essa edição portuguesa como legítima ou oficial. Em 2026, isso finalmente muda. Estamos preparando a primeira edição brasileira do livro que volta às raízes filosóficas e ao sentido que Fukuoka deu à ideia de agricultura natural. Quando “Natural” Virou “Selvagem” A edição portuguesa, que circula no Brasil em PDF até hoje, foi traduzida da edição francesa dos anos 80, publicada por Guy Trédaniel. Essa versão traduziu 自然農法, termo criado por Fukuoka, como agriculture sauvage (agricultura selvagem). E a edição portuguesa seguiu essa escolha. Fukuoka talvez rejeitasse essa perspectiva, às vezes descrevendo seu método como ‘semi-selvagem,’ mas sempre afirmando que o processo depende do entendimento do que é a natureza sem domesticação, para podermos saber quais ações devem ou não ser tomadas. Ele aprendeu isso cedo, dizendo que: “O problema, veja bem, era que eu não estava praticando agricultura natural, mas sim o que se poderia chamar de agricultura preguiçosa! (...) Aquelas árvores jovens tinham sido domesticadas, plantadas, podadas e cuidadas por seres humanos. As árvores tinham sido escravizadas pelos humanos, então não conseguiram sobreviver quando o suporte artificial fornecido pelos agricultores foi repentinamente removido.” (A Revolução de uma Palha) “O verdadeiro caminho para a agricultura natural exige que a pessoa saiba o que é a natureza inalterada, para que ela possa entender instintivamente o que precisa ser feito — e o que não deve ser feito — para trabalhar em harmonia com seus processos.” (Entrevista com o menino do arado: Masanobu Fukuoka) Ou seja, para Fukuoka, ‘natural’ era diferente de ‘sem cuidados.’ A harmonia não é alcançada com negligência. Qual é o problema com “Selvagem”? A palavra 自然 (shizen) em japonês traz um sentido filosófico ligado ao zen e ao taoismo. O fluxo autêntico da vida em equilíbrio decorre de enxergar a negociação entre Natureza e Sociedade não como um paradoxo ou contradição, mas como “um estado de espírito mais elevado. (…) As duas categorias são definidas como opostas, mas são necessárias uma à outra.” Já sauvage/selvagem carrega um legado colonial baseado na oposição entre civilizado e primitivo — um imaginário historicamente usado para julgar povos e culturas fora da Europa. Embora selvagem e primitivo possam ser ressignificados, a filosofia de Fukuoka não propõe uma agricultura que simplesmente nasce, cresce e vive sem cuidados especiais, nem rejeita os aprendizados da ciência moderna. Assim, traduzir shizen como “selvagem” revela a perspectiva cultural e epistemológica de seus tradutores, uma visão de mundo europeia que tem dificuldade em perceber os processos Naturais atravessando e integrando o processo Humano. Essa Nova Edição Nossa edição brasileira tem alguns compromissos fundamentais: Português brasileiro. Tradução baseada no inglês de Larry Korn, discípulo e tradutor oficial de Fukuoka. Reconhecimento da agência japonesa que representa a família do autor. Essa nova edição é uma responsabilidade ética com a obra de um dos pensadores ecológicos mais importantes do século XX. Por que Publicar Isso Agora? Porque Fukuoka é urgente. Enquanto o mundo discute transição ecológica, soberania alimentar, colapso climático e tecnologias rurais dependentes de petróleo, Fukuoka permanece um farol que nos lembra: Não existe agricultura saudável sem humildade diante da natureza. Não existe regeneração sem simplicidade. Não existe futuro sem solo vivo. 💡 Nos próximos meses, vamos compartilhar: Trechos inéditos da nova tradução. Traduções de entrevistas com Fukuoka. Novidades sobre a publicação e seu lançamento. Se você quer acompanhar esse processo e apoiar o projeto: inscreva-se no boletim e compartilhe. Vamos devolver Fukuoka ao Brasil com o respeito que ele merece. ________________ Mirna Wabi-Sabi, Diretora da Plataforma9.

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  • P9 | Time ◣ Team

    Os prêmios e palestras da Plataforma9. Prêmios ◣ Awards 2021 "Brasil, Entre A Vida E A Morte " 38º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo Segundo lugar na categoria fotografia 2022 “A narrativa desumanizante em torno dos assassinatos policiais no Rio de Janeiro” 44.º Prêmio Vladimir Herzog Menção honrosa 39º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo Primeiro lugar 2023 "Chacina Não Garante Segurança" 40º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo Menção honrosa 2024 "Entre a vida e a morte nas ruas" Artigo: "Os Desabrigados da Humanidade” Prêmio Portfólio FotoDoc 2024 2025 "Os Desabrigados da Humanidade” Prêmio Rei da Espanha de Jornalismo Internacional "A Militarização Que Agride A Gestão Educacional No Rio De Janeiro” 42º Prêmio Direitos Humanos De Jornalismo Palestras ◣ Lectures Formativo de Editores Iniciantes – FEI [Módulo 4] Edição: Publicações Multilíngues Projeto: Tramas da Edição (Lei Paulo Gustavo / Secretaria de Cultura e Indústria Criativa do Estado de São Paulo) Online, janeiro–fevereiro, 2025 Publicar é Resistir: O papel das pequenas editoras na diversidade literária Casa da Leitura e do Conhecimento Bienal do Livro Rio de Janeiro, 19 de junho, 2025 Editar é Criar: O trabalho invisível no Livro Casa da Leitura e do Conhecimento FLIP Paraty, 1 de agosto de 2025

  • P9 | Alfabetização Midiática

    Curso de Alfabetização Midiática online, gratuito. O que é alfabetização midiática? Uma vez que desenvolvemos a capacidade de ler e escrever (que é a alfabetização), podemos desenvolver a capacidade de consumir e produzir mídia em plataformas com audiências massivas (alfabetização midiática). EN Alfabetização Midiática O que é alfabetização midiática? Da mesma forma que aprendemos a ler e escrever textos, podemos aprender a interpretar conteúdos online. A leitura e a escrita são, de certa forma, ferramentas de consumo e produção de conteúdo, mas no privado. A mídia é o meio de divulgação em massa desse conteúdo. E para se comunicar com um grande número de pessoas, vários meios diferentes podem ser usados, como rádio, publicações impressas e internet. A mídia na Internet é disseminada por meio de sites, e esses sites são plataformas para conteúdo de mídia. Este conteúdo tem um endereço: um link. Uma vez que temos a capacidade de ler e escrever (que é a alfabetização), temos a capacidade de consumir e produzir mídia em plataformas com audiências massivas (alfabetização midiática). A alfabetização midiática não é amplamente ensinada, não apenas na era da internet. Geralmente não somos ensinados como os livros são publicados, os rádios são transmitidos ou como os sites são construídos. Esse conhecimento costumava ser reservado a profissionais dessas áreas, até que as mídias sociais democratizaram a distribuição em massa de conteúdo pessoal (para o bem ou para o mal). Agora, mais do que nunca, a alfabetização midiática é uma necessidade para todas as pessoas, de todas as idades. Abaixo você encontra um minicurso, que consiste em um checklist sobre o que buscar ao consumir conteúdo online. A produção daqueles que preencheram esta lista de verificação é apresentada coletivamente na seção 'resultados', com gráficos, mapas e bancos de dados. Por meio desse processo, nos treinamos para buscar informações relevantes e ver nosso consumo individual de conteúdo online em um contexto mais amplo – o contexto online global em que nos encontramos. FORMULÁRIO RESULTADOS A HISTÓRIA Desde a invenção da prensa móvel Alemã no século XV, que gerou o método de disseminação de mídia replicável em grande escala e revolucionou o consumo de informação, há notícias falsas. Era muito comum que essas notícias falsas fossem direcionadas contra um contingente minoritário ou marginalizado pela hegemonia ocidental, como judeus, indígenas, negros e negras. Às vezes inventavam atrocidades cometidas por membros ‘indesejáveis’ da sociedade. Outras vezes escondiam e questionavam atrocidades cometidas por membros ‘desejáveis.’ Em outras palavras, uma mídia enganosa é uma que não só mente, mas também omite. Por causa da presença contínua de falsidade na mídia nos últimos cinco séculos, muitos jornalistas gostam de falar que ‘fake news’ não é novidade — mas é. O termo ‘fake news’ diz mais sobre a era midiática na qual nos encontramos, do que da prática de disseminação de desinformação. Informações falsas sempre circularam pela mídia, mas hoje circulam de uma maneira particular, com o uso de novas ferramentas tecnológicas, como impulsionamentos em mídias sociais e bots. Na primeira metade do século XX, o primeiro ‘barão da mídia’ brasileiro, Assis Chateaubriand, ameaçava destruir a reputação de pessoas e empresas com notícias falsas em troca de dinheiro (chantagem, basicamente). Hoje, os avanços tecnológicos mudaram significativamente o formato em que essas notícias falsas são disseminadas, e por quem. WhatsApp, Facebook, Twitter, Telegram, Instagram são formatos sem precedentes de divulgação de mídia. A maioria das pessoas pode produzir conteúdo de mídia, e a maioria das pessoas que pode, faz isso constantemente. Quando vemos notícias em uma dessas plataformas, também vemos quem e quantas pessoas reagiram a elas, o que influencia não apenas o que sentimos sobre as notícias, mas também sobre os outros que as consomem — tudo instantaneamente. Podemos acreditar ou parar de acreditar, dependendo de quem ou quantos ‘compartilharam’, ou ‘curtiram’. Quando falamos de ‘quem’, basta que uma pessoa famosa ou com credibilidade acredite e ‘compartilhe’ para que “um rebanho desorientado” (Chomsky em seu livro “Midia: Propaganda Política E Manipulação”) siga. É aqui que entram os ‘influenciadores.’ Quando falamos de ‘quantos’, um número alto de compartilhamentos ajuda a publicação a alcançar um público mais amplo, parecendo relevante para os algoritmos de mídia social e para as pessoas que a veem. É aí que os bots são usados. Aqui está um exemplo de notícia mentirosa, sensacionalista e oportunista das últimas 2 décadas. Aqui (Abcnews.com.co) está um exemplo de ‘fake news.’ Uma vem de uma plataforma que ainda existe e mentiu. A outra (Abcnews.com.co) nem existe como plataforma, finge ser uma coisa que não é. Nunca acharíamos este link por conta própria, ele é criado para ser realista no Facebook. Sites de ‘fake news’ tem o intuito específico de comprar impulsionamentos em mídias sociais. [Note que não usei hiperlink para a ‘fake news’, porque não quero minha menção como ‘backlink' ou como influência no PageRank.] A VERDADE O conceito de verdade parte da nossa subjetividade, depende da perspectiva de cada um. Portanto, toda a mídia produzida por alguém é um resultado da subjetividade desta pessoa. É preciso estar em contato com sua própria subjetividade, para poder discernir a veracidade da produção midiática dos outros. Mais importante do que achar as respostas, é fazer as perguntas certas. Tudo bem se você não achar as respostas para todas as perguntas. O importante é procurar saber, porque às vezes, não achar a resposta é uma informação valiosa. Será que a plataforma está sendo tão transparente quanto poderia ser? Mentiroso ou Enganoso? Uma mentira é quando, por exemplo, um autor inventa informação. Um autor pode ser enganoso sem inventar coisa alguma. Basta selecionar informações verdadeiras, mas descontextualizadas, e usar ferramentas sensacionalistas para provocar uma certa emoção na audiência. Geralmente, cursos de alfabetização midiática focam em como identificar linguagem jornalistica objetiva e neutra, porém, isso não existe. Nem sempre é fácil discernir ferramentas sensacionalistas e enganosas de métodos eficazes de atingir uma audiência através da mídia. As ferramentas mais identificáveis, mesmo que subjetivas, são: – Música dramática. – Imagens e palavras chocantes. – Pontos de exclamação. – Títulos que causam medo, e passam pouca informação. – Textos que falam diretamente com você. O foco em uma diretriz ou lista de verificação sobre como identificar fake news pode nos tornar ainda mais vulneráveis a elas. Porque a diretriz logo se torna uma ferramenta eficaz para divulgá-las. Por exemplo, se eu falar: “confie apenas em jornais que não usam pontos de exclamação nos títulos”, essa diretriz pode ser usada por qualquer plataforma enganosa para ganhar sua confiança. Uma ferramenta muito mais forte do que decorar características identificáveis de fake news é ter um senso claro de seus próprios valores e objetivos políticos. ‘Fake News’, ‘bots’ e pessoas interessadas em usar essas ferramentas para manipular uma audiência, focam em pessoas ‘influenciáveis’. Isso não necessariamente significa pessoas que estão em cima do muro, as dogmáticas são ainda mais influenciáveis, porque suas referências de verdade estão fora delas mesmas. É por isso que a busca por sua própria verdade é fundamental para tornar as fake news ineficazes, o que é a maneira mais eficaz de combatê-las. O pensamento, a fala, e a ação devem ser unidos, assim como suas ideias, o que você compartilha com os outros e como você vive sua vida. Este é um exercício de equilíbrio — estar aberto a aprender coisas novas, sem perder de vista sua própria verdade e experiências de vida. A AUDIÊNCIA Quando produzimos mídia, pensamos em um público alvo para que ela seja eficaz na entrega da mensagem. Um jornal, por exemplo, tem uma audiência, e os valores de cada existem em simbiose. O processo de alfabetização midiática envolve a análise dos valores das instituições e/ou pessoas que produzem mídia, a partir do reconhecimento de nossos próprios valores como audiência. Muitas pessoas que produzem mídia na ‘internet’ não são honestas, ou transparentes sobre seus valores e intenções. Existem táticas midiáticas que visam manipular uma audiência específica, que usam ferramentas que provocam emoções direcionadas. A Arte tem o intuito de provocar emoções; a escrita acadêmica tem o intuito de ser validada. Estas são ferramentas que podem ser usadas de forma sutil, exagerada, eficaz, manipuladora, mentirosa, enganosa, etc. A nossa análise de como essas ferramentas são usadas depende do nosso entendimento de como nós mesmos as usamos, e por quê. O que constitui um conteúdo acessível para o público geral? Para um conteúdo ser acessível, ele precisa poder atingir a audiência que se propõe a atingir. Por exemplo, para um vídeo poder atingir uma audiência do Instagram, ele precisa durar no máximo um minuto, porque esta é (ou era) a limitação da plataforma que essa audiência visita. Como identificar se um texto se propõe a atingir uma audiência leiga, e não só uma especializada? Uma pessoa que não é especialista e não tem interesse em se especializar em uma certa área de estudo passará menos tempo lendo sobre o assunto. Portanto, textos acessíveis para essa audiência devem ser curtos. Textos curtos ‘online’ não precisam de resumo, sumário, seções numeradas, etc. Nem sempre um texto longo é inacessível. Outra forma de identificar o nível de acessibilidade é reconhecer excesso de citações/referências, geralmente redirecionando o leitor a outros textos ainda mais longos e acadêmicos. Requisitos acadêmicos refletem a audiência que a autoria se propôs a atingir. Siglas e termos específicos têm a mesma função. Para atingir uma audiência leiga, é preciso definir termos e descrever siglas que geralmente não estão presentes no vocabulário de pessoas fora da academia. (Detran, por exemplo, não é uma sigla que precisa ser descrita, mas IEA sim.) GLOSSÁRIO ‘Bot’ (nas mídias sociais) – “é um agente que se comunica de maneira mais ou menos autônoma nas mídias sociais, geralmente com a tarefa de influenciar o curso da discussão e/ou as opiniões de seus leitores. Está relacionado aos chatbots, mas geralmente utiliza apenas interações simples ou nenhuma reatividade.” (Wikipedia) Dogma – “um princípio ou conjunto de princípios estabelecidos por uma autoridade como uma incontroversa verdade”. (Idiomas de Oxford) ‘Fake News’ – “é uma forma de notícia que consiste em desinformação deliberada ou trotes espalhados através da mídia tradicional ou da mídia social online.” (Wikipedia) Mídia – “os principais meios de comunicação de massa (transmissão, publicação e Internet) considerados coletivamente.” (Idiomas de Oxford) Mídias sociais – “sites e aplicativos que permitem aos usuários criar e compartilhar conteúdo ou participar de redes sociais.” (Idiomas de Oxford) Público-alvo (na mídia) – “Um público-alvo da mídia pode ser tão pequeno quanto uma pessoa lendo uma revista ou tão grande quanto bilhões de pessoas em todo o mundo assistindo a eventos, como o 11 de setembro, acontecerem ao vivo na televisão. O público-alvo tem um relacionamento complexo com os produtos que consomem.” (Ministério da Educação da Nova Zelândia) Sensacionalismo – “(especialmente no jornalismo) o uso de histórias ou linguagem emocionantes ou chocantes à custa da precisão, a fim de provocar interesse ou excitação do público.” (Idiomas de Oxford) Formumário Resultados

  • P9 | Podcast (Português)

    Neste podcast, Mirna Wabi-Sabi, idealizadora e fundadora da iniciativa, conversa com pessoas colaboradoras e convidadas sobre diversos artigos e projetos da Plataforma9. EN Colaborações

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