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- Como patrocínios ambientais da Petrobras compram o silêncio
Cláusulas de confidencialidade em contratos de patrocínio restringem críticas, moldam a divulgação de pesquisas e conferem à gigante petrolífera brasileira uma influência discreta sobre a ciência ambiental e a diplomacia climática. Investigação por Mirna Wabi-Sabi, fundadora da Plataforma9, jornalista e escritora brasileira cujo trabalho se concentra em governança ambiental, poder corporativo e políticas climáticas. Publicado em colaboração com Esquerda Diário. Entre 2023 e 26, a Petrobras está investindo quase 15 milhões de reais em um instituto ambiental que pesquisa emissões sonoras de fontes sísmicas. A tecnologia sísmica marinha é utilizada para mapear recursos no fundo do oceano, e é literalmente ensurdecedora. Via canhões de ar comprimido rebocados por navios, a Petrobras mapeia as camadas subterrâneas da Terra para identificar onde podem existir reservatórios de petróleo e gás natural. Essa atividade tem um impacto severo na fauna marinha, e preocupações ambientais aumentam com a expansão da exploração offshore. “A poluição acústica é um dos problemas ambientais emergentes no mundo, sendo o ambiente aquático um dos mais afetados. Diversas atividades humanas podem produzir ruídos, como o tráfego de embarcações, sonares, construções e pesquisas sísmicas. Estes ruídos podem causar diferentes efeitos e impactos na vida marinha, mas em especial aos cetáceos. Estes efeitos incluem lesões permanentes ou temporárias no sistema auditivo, além de mudanças comportamentais.” (Trecho da justificativa do projeto pelo Instituto Baleia Jubarte – Respostas Individuais Dos Mamíferos Marinhos À Sísmica (MARESIS), Contrato 0050.0125991.23.9, vigente entre 2023 e 2026.) Ao abordar a essa preocupação, o Instituto Baleia Jubarte desenvolveu o Projeto “Respostas Individuais dos Mamíferos Marinhos à Sísmica” (MARESIS). Essa iniciativa utiliza sensores e drones para mensurar os efeitos da poluição acústica na saúde dos golfinhos, baleias, e cetáceos em geral, seja em seu comportamento, ritmo cardíaco, sensibilidade auditiva, ou resposta hormonal. Esse esforço envolve expedições em áreas como a Bacia de Santos, usando zonas livres de atividades industriais como controle de comparação, e deve gerar em 2026 dados robustos para orientar políticas mais eficazes de mitigação da perturbação sonora. Mais que uma pesquisa acadêmica, é um ensaio de responsabilidade socioambiental corporativa, com a Petrobras financiando diretamente estudos que avaliam os impactos de suas próprias operações. O contrato de patrocínio entre o instituto e a petroleira possui uma cláusula de sigilo e confidencialidade, que faz com que as informações coletadas, as estratégias de comunicação e os materiais de divulgação sejam controlados. Essa provisão assegura à Petrobras o direito de revisar previamente todos os artefatos produzidos pelo projeto, garantindo que a imagem da empresa seja protegida, e que a narrativa pública se alinhe ao interesse institucional e à reputação desejada. “7.2 - Cada PARTÍCIPE se compromete em manter sigilo sobre as informações trocadas e geradas durante a execução das atividades do presente TERMO DE COOPERAÇÃO por um período de 10 (dez) anos e ainda, não revelar nem transmitir direta ou indiretamente as informações trocadas a terceiros que não estejam envolvidos no desenvolvimento do objeto deste TERMO DE COOPERAÇÃO. / “7.2.1 - O prazo previsto no item 7.2 não se aplica às informações e aos dados relativos ao segredo de negócio (know how, trade secret), à estratégia comercial e a tudo que represente diferencial competitivo para o PARTÍCIPE DIVULGADOR, que deverão ser mantidos sob sigilo, pelo PARTÍCIPE RECEPTOR, por prazo indeterminado, salvo autorização expressa do PARTÍCIPE DIVULGADOR. / “7.3.1 - Para fins de sanção administrativa interna, o descumprimento da obrigação de sigilo tem caráter de irregularidade grave.” No contexto de uma autópsia de um animal marinho, a causa da morte pode ser considerada confidencial por envolver dados relativos ao segredo de negócio da patrocinadora. Contratualmente, o público não é dado o direito de acessar os resultados dessa pesquisa na íntegra, ou de utilizá-las para fazer demandas de práticas sustentáveis à Petrobras.[1] Gás Lighting foi uma expedição à Baía de Guanabara, coordenada por Malu Hatoum e Filipe Britto, com 13 artistas sonoros e visuais do Brasil, Argentina e Alemanha, no dia 28 de setembro de 2025, com o propósito de observar e capturar áudio e imagem das plataformas de gás e petróleo. Foi parte da programação do IV SomaRumor – Encontro Latino Americano de Arte Sonora, e do Rio Ocean Week 2025 no Museu do Amanhã. Durante décadas, a Petrobras tem sido uma das maiores patrocinadoras de iniciativas culturais e ambientais brasileiras. A imagem negativa da empresa construída ao longo dos anos, com base em desastres ecológicos, vazamentos de óleo, extração nociva e corrupção, aos poucos vem sendo reformulada. Uma parte dessa estratégia se dá por meio de investimentos em projetos de proteção da natureza e biodiversidade. Na tentativa de se apresentar como parceira da sustentabilidade, uma questão incômoda surge em suas práticas contratuais: Projetos ambientais financiados pela Petrobras nem sempre têm a liberdade de questionar os impactos da indústria petrolífera, do extrativismo ou da expansão da fronteira energética no meio ambiente. Autocensura preventiva e “menção prejudicial à imagem” Anualmente, a petroleira investe centenas de milhões de reais em projetos ambientais por meio de seu programa socioambiental. No entanto, contratos de patrocínio muitas vezes incluem cláusulas que demandam que patrocinados mantenham a marca a salvo de qualquer responsabilização, queixa ou crítica pública – independentemente dos resultados das pesquisas que o patrocinado foi financiado para desenvolver. Mesmo que uma ação da própria Petrobras afetasse negativamente o território do projeto, como em caso de poluição ou destruição, a instituição financiada não poderia expor ou acionar publicamente a empresa sem ferir o contrato e lidar com repercussões financeiras avassaladoras. Já que é obrigação do patrocinado: "Arcar com todos os custos e despesas relativos aos processos administrativos, judiciais e arbitrais, que venham a ser ajuizadas em face da PETROBRAS, resguardando os interesses da PETROBRAS, inclusive por meio das garantias necessárias a sua desoneração." (Cláusula 5.1.6 do contrato 5900.0131002.25.2) Isso significa que qualquer processo movido contra a Petrobras, ainda que por terceiros e indiretamente ligado ao projeto patrocinado, deverá ser custeado e assumido integralmente pelo patrocinado. Tal cláusula torna a Petrobras intocável. Nesse caso em particular (contrato 5900.0131002.25.2), o saldo de R$ 85.000,00 é um valor barato para garantir que um ‘Encontro Nacional Sobre Conservação e Pesquisa de Mamíferos Aquáticos’ não possa denunciar impactos negativos ou ação ilegal da Petrobras nos oceanos e na vida desses animais.[2] Esse tipo de ‘blindagem’ pode aparecer de forma explícita em cláusulas de rescisão contratual. Em uma cláusula de um contrato assinado em 2017 com um instituto de restauração florestal, que se repete em pelo menos oito contratos ainda vigentes em 2025, a Petrobras se reserva o direito de encerrar o patrocínio sem indenização caso o patrocinado ou qualquer um de seus membros cometa “qualquer ato que cause danos à Petrobras, inclusive no que diz respeito à imagem institucional.” Em entrevista, representantes do Instituto que opera o projeto de objeto desse contrato negaram a existência da cláusula, e depois negaram que ela tenha tido qualquer impacto no trabalho deles, quando existia. Afirmaram também que participam de organizações ativistas ambientais e nunca foram questionados sobre isso pela Petrobras, mas não souberam dizer em quais campanhas eles colaboraram, ou se elas tinham qualquer relação com a petroleira ou a indústria offshore, em geral. Já o representante do Encontro Nacional Sobre Conservação de 2025 também afirmou que essa cláusula não gera restrição alguma para a seleção ou divulgação de trabalhos acadêmicos no evento. Ou seja, a cláusula é vigente, mas é vazia de significado. Não está claro se o reconhecimento da existência dessa cláusula ou que ela possa ter qualquer impacto na estratégia de comunicação do projeto seja em si uma infração dela, que pode levar a quebra de contrato. Ao não definir o que constitui “dano à imagem,” a interpretação fica a cargo da própria patrocinadora. O efeito prático disso é a criação de um ambiente de autocensura preventiva, onde patrocinados evitam fazer críticas públicas, divulgar dados sensíveis ou assumir posicionamentos políticos que possam, mesmo que indiretamente, desagradar a financiadora. “A cláusula que veda ao contratado qualquer menção prejudicial à imagem da Petrobras pode funcionar como instrumento de silenciamento indevido, inclusive sobre impactos ambientais reais. A depender do caso concreto, pode violar os princípios constitucionais da liberdade de expressão (art. 5º, IV e IX), do direito à informação (art. 5º, XIV) e da publicidade ambiental (art. 225, §1º, V). (Diz advogada ambiental anônima em entrevista). A mensagem passada pelo conteúdo desses contratos é que a Petrobras financia a preservação ambiental desde que essa preservação não entre em qualquer tipo de conflito com a continuidade de seus empreendimentos extrativistas e exploratórios. Em alguns casos, infringindo direitos pessoais e sociais, e deveres políticos de transparência. A cumplicidade involuntária mantêm o apoio financeiro dependente da sonegação dos impactos que seus projetos deveriam combater. Essa lógica domestica o campo ambientalista de forma sutil e eficaz, convertendo projetos legítimos de conservação em ações de apaziguamento institucional. Pode ser que não haja censura direta, mas há limites impostos pelo dinheiro, e cujos parâmetros contratuais são vagos e virtualmente inegociáveis. Ou, como diz a advogada, “se não concordar, não tem contrato.” Um representante de uma organização ambiental patrocinada pela Petrobras até 2027 descreve como o contrato impõe limites indiretos à liberdade de expressão, orientando a equipe a não falar sobre temas ligados à operação da empresa: “A gente não pode falar coisas relacionadas a operações da Petrobras, da parte de produção de petróleo, essas coisas da Petrobras que não estejam envolvidas dentro do programa socioambiental. A gente não está autorizado a falar sobre isso porque eles têm uma pessoa responsável pelo nosso projeto pra prestação de contas. Então, todas as vezes que se tratar de assuntos da operação de produção de petróleo, etc., ela sugere que peça pra passar pra ela, e que nós possamos falar somente do nosso projeto. Segundo eles, assim, como a gente não participa do dia a dia da Petrobras, a gente não teria condições de responder de forma correta. Como parceiro, não podemos também ficar estimulando notícias que acontecem sobre a Petrobras, ou sobre qualquer assunto que venha afetar a imagem da empresa. Normalmente, esses contratos, você lê as cláusulas ali, mas você fala, ‘nunca vou usar isso,’ então deixa passar. Eu acho que as organizações que atuam [com medo e autocensura] é porque elas são muito reféns do recurso que vem da Petrobras, né?”[3] No caso do projeto do entrevistado, a Petrobras não opera em sua área ou causa danos diretos a sua comunidade. Se ela começar dentro do período de vigência do contrato, o que é possível, ele diz que “a conservação da floresta, a integridade da biodiversidade e a manutenção da cultura dessas comunidades não têm preço, são coisas inegociáveis.” Eles podem “chutar o balde” porque suas operações podem continuar sem patrocínio. Como ocorre com frequência em contextos de dependência financeira, a autocensura se instala antes mesmo que a crítica se forme, pois organizações aceitam qualquer imposição contratual por medo e necessidade de verba. Uma organização de monitoramento de tartarugas marinhas com cientistas experientes e competentes pode, por exemplo, utilizar uma verba massiva viabilizada pela Petrobras Socioambiental para monitorar por satélite as movimentações desses animais e identificar áreas das quais elas dependem para sobreviver; como para alimentação ou reprodução. Dessa forma, os dados coletados por esses cientistas podem ser usados para proteger as tartarugas ao definir áreas de proteção ambiental. Porém, se esses dados apontarem em direção a áreas de vazamento de óleo como resultando em um certo número de mortes ou danos à população desses animais, a divulgação desses dados pode arruinar financeiramente a iniciativa patrocinada com a exigência de “devolução do valor repassado […] não excluindo multas e quaisquer valores oriundos de descumprimento contratual.” (Cláusula 19.1 do contrato 5900.0128816.24.2) Já que o descumprimento contratual é iminente na linguagem vaga de “dano à imagem,” antes mesmo da coleta desses dados, membros da iniciativa já podem querer evitar fazer qualquer menção ao conceito de vazamento de óleo como uma ameaça às tartarugas, em geral, para não gerar qualquer atrito com a patrocinadora.[4] Similarmente, uma organização como o Instituto Baleia Jubarte, que pesquisa o impacto que a poluição sonora nos oceanos tem em mamíferos aquáticos, oriunda do processo de procura e manutenção de áreas de exploração offshore, precisa ter a liberdade de revelar seus resultados para garantir sua integridade científica e acadêmica. Isso não pode ser alcançado se o conflito de interesse entre pesquisadores e financiadores não for abordado contratualmente. Pesquisas sobre o impacto da exploração, feitas com o apoio financeiro de empresas que lucram imensamente com dita exploração, só podem gerar resultados confiáveis se proteções forem estipuladas nos acordos. Conflitos de interesse e dependência financeira A dependência financeira gera conflito de interesse quando quem financia tem poder de influenciar decisões, conteúdos ou resultados em benefício próprio. Exemplos desses conflitos de interesse exacerbados em convênios da Petrobras são numerosos, desde conferências de pesquisadores da área de conservação, a cuidados médicos de animais marinhos, proteção de recursos hídricos, até prêmios jornalísticos. No jornalismo, a dependência financeira pode limitar observações críticas. Conforme uma leitura literal da cláusula 7.1.1 do contrato de patrocínio do Instituto Vladimir Herzog com a Petrobras, uma matéria crítica ao impacto ambiental da Petrobras pode ser desclassificada ou barrada de receber um Prêmio, mesmo que seja relevante, verdadeira e de interesse público, por fazer “menção prejudicial à imagem da Petrobras.” Embora nem sempre vista como censura explícita, e até agora não ter sido aplicada, essa cláusula pode ser um obstáculo à premiação de matérias críticas à Petrobras, pois cria um ambiente de restrição e descomprometimento ético especialmente preocupante quando lida literal e juridicamente, e aplicada a iniciativas jornalísticas na área de direitos humanos atrelados a demandas ambientais.[5] Na ciência, a dependência financeira compromete a autonomia. Desde os anos 80, o Programa Antártico Brasileiro coordena as atividades científicas e logísticas do Brasil na Antártica. A presença do Brasil na Antártica é relevante geopoliticamente, mas acima de tudo, nos coloca na vanguarda da pesquisa sobre o aquecimento global – é uma região sensível às mudanças e tem tremendo impacto na regulação climática do planeta. Neste ambiente isolado, conduzir pesquisas científicas é caro e requer recursos de difícil acesso para universidades. Por isso, a Marinha e a Petrobras forjaram uma parceria. “Além dos aspectos geofísicos e geológicos de interesse, é importante considerar o papel estratégico da Antártica, como principal regulador térmico do Planeta, que controla as circulações atmosféricas e oceânicas, influenciando o clima e as condições de vida na Terra, principalmente nas operações offshore.” (Trecho da justificativa do projeto pelo CIRM em contrato com a Petrobras) Entre 2019 e 2027 há um total de mais de 800 milhões de reais investidos pela Petrobras na Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), que é parte da estrutura organizacional da Marinha. E a cláusula de sigilo entre eles é extremamente abrangente. Ela não apenas protege dados estratégicos e técnicos, mas também define como informação reservada qualquer conteúdo relacionado ao acordo, às negociações, e até a sua existência é estritamente permitida para divulgação. “3.1.6 – não divulgar qualquer dado ou informação sobre este TERMO, sem a prévia autorização do outro PARTÍCIPE, ressalvada a mera notícia de sua existência, atuando em conformidade com o disposto na CLÁUSULA DE SIGILO deste TERMO.” (Trecho do contrato 0050.0128707.24.9 entre Petrobras, a Marinha do Brasil-via SECIRM/CIRM e a FEMAR.) Um representante da Fundação que fornece apoio técnico à CIRM e faz gestão de projetos científicos na infraestrutura da Marinha nos respondeu: “Com relação ao Projeto citado, participo que cláusula de sigilo nos impede de fornecer qualquer informação.” Logo em seguida, o representante da Marinha designado a fornecer esclarecimentos, abordou a cláusula de sigilo em entrevista da seguinte forma: “Recebemos a solicitação para que o relatório seja emitido de maneira conjunta pela Petrobras, com a Marinha, com a Fundação e com as universidades. Mas, sigilo é simplesmente um pedido que eles fazem para que a gente divulgue as informações mediante o conhecimento deles. Só isso. Porque eles são partícipes desse contrato. Basicamente, eles não são contratualmente obrigados a manter sigilo, mas meio que concordam em fazer as divulgações de forma conjunta.” (Secretário da CIRM) Para pesquisadores de diversas universidades brasileiras, que utilizam a infraestrutura fornecida pela Marinha na Antártica, com apoio da Petrobras, o sigilo é invisível. Contratos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) com pesquisadores, que visam participar do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), possuem cláusulas que impõem o cumprimento de todas as disposições específicas contidas no instrumento jurídico de parceria. Nesse caso, da parceria sigilosa entre a CIRM e a Petrobras, cujas demandas jurídicas se aplicam a contratos entre o CNPq e pesquisadores de universidades pelo Brasil inteiro. “As propostas financiadas com recursos de outras fontes obrigam, ainda, à observância de eventuais disposições específicas constantes na Ação ou no instrumento jurídico de parceria que a ampare.” (Trecho de contrato vigente entre o CNPq e um pesquisador da UERJ) Apesar de alguns pesquisadores relatarem nunca terem ouvido falar de cláusula de sigilo nesse contexto, relatam que suas pesquisas são submetidas para aprovação como parte da prestação de contas. “Quando eu vou fazer minha prestação de contas [com o CNPq], eu tenho que colocar o meu relatório. Tenha publicações ou não. [O retorno é:] ‘O seu relatório está adequado às propostas encaminhadas.’” (Diz pesquisador que possui contrato vigente com o CNPq em entrevista) Para esse pesquisador, também não está claro quais contratos de parcerias são observados no contrato dele com o CNPq. Enquanto ele acredita que essa parceria seja caso ele assine contratos com outros patrocinadores, ele não se vê contratualmente submetido ao acordo de parceria entre a Marinha e a Petrobras. Embora haja regras a serem seguidas quando a pesquisa dele é operada na sede, e utiliza os recursos da Marinha na Antártica, ele não sabe dizer onde elas estão registradas e acordadas. Esse tipo de acordo que envolve diversas instituições, de diversos tipos, e com diversos contratos, cria uma zona de sombra institucional onde as ‘propostas encaminhadas’ são submetidas a demandas jurídicas e interesses empresariais implícitos. Dados de interesse coletivo, como sobre uso de recursos públicos, impactos ambientais ou decisões de política científica, ficam blindados de acesso e debate, mesmo quando a Lei de Acesso à Informação prevê o contrário. Isso causa uma tensão entre sigilo e interesse público, envolvendo quase um bilhão de reais de investimento. Ao exigir autorização prévia por escrito para qualquer divulgação que vá além da mera existência do acordo, uma cláusula de sigilo ou de prevenção de dano à imagem podem impedir que pesquisadores, jornalistas ou servidores compartilhem informações relevantes ao público, mesmo quando não há risco à segurança nacional (ou explanar das atividades da Marinha). Pode inibir denúncias ou críticas legítimas, criando um efeito de autocensura institucional, e pode tornar dependente da vontade dos patrocinadores qualquer tentativa de divulgação científica ou técnica, mesmo quando feita com interesse público. Como garantir o direito à crítica Garantir o direito à crítica, à transparência e ao debate, mesmo quando envolvem a própria patrocinadora, pode ser alcançado de forma simples, porém improvável. Basta a inserção de cláusulas de prevenção de conflito de interesse, estipulando a liberdade de divulgação de dados comprovados independentemente de suas relações com a patrocinadora – da mesma forma que cláusulas anticorrupção são inseridas para a prevenção de conflito de interesses por nepotismo ou vínculo pessoal. No âmbito midiático, essas estipulações contatuais se chamam “Editorial Independence Clauses,” e garantem, por exemplo, que o National Public Radio nos EUA possa divulgar notícias legítimas e relevantes sobre financiadores como Facebook ou Google, sem ameaças de perda de verba. Dessa forma, patrocinadores recebem crédito, mas não retêm controle editorial.[6] Contratos da Petrobras com organizações de proteção ambiental oferecem benefícios estratégicos, políticos e econômicos para a empresa. Ao mesmo tempo que eles moldam a imagem da Petrobras como proponentes da sustentabilidade ecossistêmica, qualquer mecanismo que possa produzir evidências do contrário é neutralizado pela cooptação de iniciativas e a absorção de alguns dos profissionais mais qualificados da nação. De acordo com Cassiano Mazon e Rafael Hamze Issa no artigo “Adoção e Implementação das Práticas ESG pelas Empresas Estatais: o Programa Socioambiental da PETROBRAS e a Preservação das Comunidades Tradicionais” para o Caderno da Escola Paulista de Contas Públicas (2022), há uma linha tênue entre discurso e prática da atuação da Petrobras Socioambiental onde a empresa pode transitar para o território do “ESGwashing.” “Ocorre que, quando estamos diante de uma agenda ‘ESG’, os interesses dos sócios e acionistas não deverão estar em primeiro plano, porquanto em posição de destaque estarão, obrigatoriamente, os interesses da sociedade.” (página 47) A linguagem de cláusulas de confidencialidade, comum em contratos empresariais, busca proteger informações comerciais, conhecimentos técnicos, etc. que podem beneficiar concorrentes ou prejudicar a posição da empresa no setor. Enquanto isso, empresas públicas, por definição, operam com recursos públicos e têm compromissos legais e éticos com a transparência e os interesses do meio ambiente e comunidades locais. Assim se forma uma tensão e desequilíbrio entre interesses comerciais e interesses públicos. Em outras palavras, a interação entre a Petrobras e entidades do Terceiro Setor pode: “criar uma imagem positiva perante a opinião pública, em matéria de responsabilidade ambiental, ocultando os impactos negativos gerados por suas atividades. É um instrumento que maquia os produtos e prestação de serviços, tentando passar a falsa ideia de que são ambientalmente corretos, ecoeficientes e que advêm de processos sustentáveis, induzindo, inclusive, o consumidor a erro.” (página 48) O fato de que tem sido através da automonitoramento ambiental que os impactos das operações da Petrobras são relatadas a instituições federais como o IBAMA só facilita a potencial ocultação. Não só é permitido, mas exigido que uma auditoria de atividades da Petrobras seja executada pela própria Petrobras, em alinhamento com o projeto de lei sobre o licenciamento ambiental 2.159/2021.[7] Em entrevista, uma doutora e professora universitária de Geoquímica[8] descreve esse paradigma como “uma aberração.” Conduzir ou terceirizar – consultorias com contratos sob cláusulas de sigilo – o monitoramento dos impactos ambientais de suas próprias atividades cria um claro conflito de interesse, cujos resultados distorcidos ela já viu em primeira mão.[9] Em sua experiência, um Termo de Ajustamento de Conduta firmado entre o IBAMA e a Petrobras há mais de uma década omitiu resultados de análise de amostras que confirmaram a contaminação por óleo na área de coleta. O IBAMA nem sequer solicitou a análise dessas amostras, por isso não perceberia se os resultados não estivessem no relatório final. Um contrato vigente até 2025[10] entre a Petrobras e uma consultora terceirizada para executar estudos ambientais requeridos pelo IBAMA, a Bioconsult Ambiental Ltda, contêm uma cláusula de sigilo detalhada. Os resultados da análise da consultora não podem ser compartilhados ao público, muito menos ao órgão público que os solicitou para utilizar os dados para conceder licenciamentos. Ou seja, se a consultora identificar vazamento de óleo ou presença de rejeitos radioativos nas Bacias de Campos, Santos e Espírito Santo, essa informação deverá ser mantida “sob sigilo, pela CONTRATADA, por prazo indeterminado, salvo autorização expressa da PETROBRAS.”[11] E os órgãos públicos concedem licenciamentos sem a garantia de que tiveram acesso aos dados completos da operação. Hoje, o IBAMA segue com suas Avaliações Pré-Operacionais (APOs) baseadas nos relatórios produzidos internamente pela petroleira, e aprova cada passo da exploração na Foz do Amazonas e em outras regiões. Protesto em frente ao prédio da Petrobras no Rio de Janeiro, 30 de maio de 2025, por Fabio Teixeira. No dia 30 de maio de 2025, a tensão silenciosa entre transparência de interesse público e interesses financeiros de acionistas nos contratos de patrocínio firmados pela Petrobras com organizações ambientais foi exposta via uma intervenção urbana retumbante no centro do Rio de Janeiro. A sede da Petrobras amanheceu rodeada de cartazes contra a exploração de petróleo na Amazônia, com as mensagens “Amazônia ou Petróleo: de que lado você está?,” “Ondas de calor, Rio 60°,” “Amazônia livre de Petróleo,” e animais marinhos e crianças encharcadas de óleo com “Patrocínio” ou “Realização” da marca da Petrobras. Tais questionamentos não poderiam aparecer em projetos patrocinados pela estatal, sob pena de violação contratual (mesmo com a marca nos cartazes seguindo algumas das diretrizes estipuladas no manual de uso anexado nos contratos). Esse contraste revela duas faces de uma mesma disputa – de um lado, a sociedade civil que se organiza para denunciar a expansão da fronteira petrolífera em áreas sensíveis como a Foz do Amazonas; de outro, a máquina institucional da Petrobras que, ao mesmo tempo que investe em proteção ambiental, promove juridicamente o silêncio de quem recebe seu patrocínio. O protesto nas ruas é uma crítica legítima à contradição entre o discurso ambiental da empresa e sua prática de exploração, uma ponderação que os contratos emudecem nos bastidores. Não adianta investir dinheiro para contratar biólogos para tirar plástico da garganta de tartarugas marinhas se não houver esforço para evitar que o plástico chegue ao oceano em primeiro lugar. Enquanto a Petrobras lucra com a produção de plástico pelo simples fato de fornecer a matéria-prima desse material, esse conflito de interesse vai garantir a nossa permanência em tratar superficialmente sintomas (e nunca a causa) de uma prática industrial fundamentalmente insustentável. Quando esses contratos silenciam organizações de proteção ambiental, o que está em jogo não é apenas a reputação da empresa, mas a integridade da causa ambiental como um todo. Se os projetos de preservação da natureza precisam se calar para serem financiados, algo está profundamente errado na forma como financiamos o cuidado com o planeta. Se eles não precisam se calar e a cláusula de prevenção de menção prejudicial não tem propósito algum, por que a remoção dela é virtualmente inegociável? Mesmo quando demarcamos áreas de proteção ambiental, estamos inadvertidamente demarcando todo o restante do mundo como área disponível para destruição. Deveria ser ao contrário – áreas de destruição é que deveriam ser exceção, identificadas, contidas e cercadas. Área de proteção deveria ser o modo padrão da Terra. Falta apenas que algumas das empresas e indústrias mais lucrativas do mundo se aliem, de forma transparente, aos cientistas e jornalistas mais comprometidos, com esse propósito em mente. [1] Representantes do Instituto Baleia Jubarte não responderam aos nossos pedidos de entrevista ou comentário. [2] Representantes da organização desse encontro não se disponibilizaram para uma entrevista, mas afirmaram por email que, apesar da existência da cláusula, “não houve qq sugestão ou restrição na abordagem dos impactos da indústria petrolífera em mamíferos aquáticos nas palestras.” [3] Nesta entrevista, o representante não compartilhou informação alguma que possa prejudicar a imagem da Petrobras para além do fato público e neutro da existência de uma cláusula contratual. Por sinal, afirmou que a Petrobras é um dos melhores patrocinadores que já tiveram, as pessoas envolvidas genuinamente se importam com a causa, e que há abertura para conversa com eles. [4] Quando vazamento de óleo foi mencionado em um artigo como uma ameaça a tartarugas marinhas, representantes da organização ambiental me pediram para retirar para não “gerar algum ruído” com o patrocinador. E quando falei em um podcast sobre essa experiência, o conselheiro jurídico pediu para “bipar” a palavra ‘Petrobras.’ [5] Representantes do Instituto Vladimir Herzog ainda não nos deram entrevista, mas responderam ao meu pedido com o link de transparência da organização e a afirmação de que a existência da cláusula nunca gerou “interferência ou influência.” [6] Mesmo com essa cláusula em seus contratos, uma década atrás, a NPR recebeu críticas quando deu crédito a uma patrocinadora, por ser uma empresa de gás natural. Por um lado, a NPR não confunde “a linha entre conteúdo promocional e editorial. Cada banner ou mensagem promocional de podcast de áudio deve ser facilmente identificável como a mensagem promocional de um patrocinador e distinguida de forma transparente do conteúdo editorial adjacente” (News & Information Digital Sponsor Recognition Guidelines). Por outro, “a ética e os valores das duas organizações simplesmente não combinam” (NPR's Underwriting Guidelines, Part Two). [7] O Art. 24 explicita que a autoridade licenciadora é responsável por elaborar o Termo de Referência, que define o escopo dos estudos ambientais a serem apresentados pelo empreendedor – sendo, portanto, o empreendedor quem prepara e apresenta os estudos. Isso está alinhado com o que já ocorre na prática desde a Resolução CONAMA 01/86: o empreendedor contrata consultorias especializadas para produzir os estudos, que depois são submetidos ao órgão ambiental. A questão é a integridade dos resultados dos estudos apresentados para o órgão ambiental (se são os mesmos entregues pelas consultorias especializadas), já que o acordo entre a Petrobras e as consultorias é sigiloso. Há precedentes em que cláusulas de sigilo ou justificativas de confidencialidade foram limitadas, negadas ou sua aplicação contestada quando atrapalham fiscalização, controle público ou direitos de órgãos de controle. Por exemplo, quando o Tribunal de Contas da União (TCU) criticou a Petrobras e decidiu que “o sigilo deve ser exceção”, não regra. [8] Ela pediu para ficar anônima porque acredita que participar de uma matéria crítica à Petrobras pode causar “constrangimento” e levar, no futuro, à perda de financiamento para o departamento dela. Mesmo sem contrato vigente com a Petrobras, ela admitiu praticar a autocensura preventiva. [9] A entrevistada adiciona que cláusulas de sigilo são necessárias, pois protegem os resultados de pesquisas da Petrobras de serem utilizadas por empresas internacionais em seus próprios benefícios, sem elas mesmas terem que investir em pesquisa no Brasil. “O sigilo não viabiliza [o garimpo ilegal] porque os garimpeiros não ficam sabendo do potencial das áreas.” Esse argumento vem atrelado com a ideia de que o foco deste artigo deveria ter sido “na atuação no Brasil das outras petroleiras,” como uma forma de alcançar a soberania nacional através do sucesso financeiro da empresa local. [10] O Anexo 1 deste contrato, que recebi através do site do Governo da Lei de Acesso à Informação, contém o seguinte informe: “Este documento é titularizado com exclusividade pela PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. - PETROBRAS, qualquer reprodução, utilização ou divulgação do mesmo, sem a prévia e expressa autorização da titular, importa em ato ilícito nos termos da legislação pertinente, através da qual serão imputadas as responsabilidades cabíveis.” Não vejo como posso ser ameaçada com uma ação judicial se adquiri o documento por meios legais, em exercício de meus direitos. [11] Neste contrato em particular, não está explícita a análise de rejetos radioativos, mas no Anexo 1, diversos documentos de referência citam normas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) para o Licenciamento de Instalações Radiativas. O objeto do contrato envolve, por exemplo, a avaliação de plâncton, que pode ser usada como bioindicador para radioatividade, numa região onde a Petrobras utiliza radioatividade, na tecnologia de radiotraçadores. Nesse caso, a utilidade expressa dos experimentos de produtividade primária do fitoplâncton, que utilizam elementos químicos radioativos, é avaliar impactos de atividades humanas, em geral, entre outras coisas.
- A guerra no Irã expõe a maior fragilidade da aviação sustentável
"O conflito estrutural de incentivos é que o mesmo setor responsável por desenvolver soluções para reduzir seu impacto ambiental também depende financeiramente da expansão contínua da atividade que gera esse impacto. Por essa razão, a avaliação da sustentabilidade da aviação não pode depender exclusivamente das promessas da própria indústria." Escrito por Mirna Wabi-Sabi Fotografado por Fabio Teixeira Quando a escalada do conflito entre EUA/Israel e Irã acendeu o temor de interrupções no Estreito de Hormuz, os mercados reagiram imediatamente. O preço do petróleo voltou a subir e as discussões sobre os combustíveis, inflação e distribuição de recursos essenciais vieram à tona. Para a aviação, a preocupação é que cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo passa pelo estreito, e o querosene de aviação continua sendo um dos principais custos operacionais das companhias aéreas. Por isso, sempre que a estabilidade do Golfo Pérsico é ameaçada, a indústria aérea se torna uma das primeiras a sentir os efeitos. Essa vulnerabilidade levanta uma questão séria sobre a possibilidade de um futuro sustentável para o setor. Companhias aéreas, fabricantes de aeronaves e produtores de combustível têm afirmado que o setor está em plena transição para um futuro de baixo carbono. No entanto, se uma crise do petróleo continua sendo capaz de desestabilizar toda a indústria, até que ponto essa transição realmente reduziu sua dependência dos combustíveis fósseis? A resposta passa pelas soluções tecnológicas que vêm sendo apresentadas como o futuro da aviação. A principal delas é o Sustainable Aviation Fuel (SAF), ou combustível sustentável de aviação. Diferentemente do querosene convencional, derivado do petróleo, o SAF pode ser produzido a partir de matérias-primas, “como óleo de cozinha usado, restos de biomassa e outros resíduos, além de energia renovável e carbono.” Como pode ser utilizado na infraestrutura existente e em aeronaves atuais, ele é considerado pela Associação Internacional de Transportes Aéreos a solução mais impactante para reduzir as emissões da aviação. Além do SAF, a indústria investe em aeronaves mais eficientes, otimização de rotas, pequenos aviões elétricos, e no ‘CORSIA’ (Sistema de Compensação e Redução de Carbono para a Aviação Internacional). Nenhuma dessas tecnologias é fictícia; todas deverão desempenhar um papel importante nas próximas décadas. Porém, a velocidade de implementação diante do crescimento do setor é um problema. O SAF representou cerca de 0,3% do fornecimento global de combustível de aviação em 2024, e em 2026 a projeção é que representará ~0,8%. Chegar ao necessário 10% em 2030 é bastante improvável, já que mesmo com a produção dobrando ou triplicando de ano a ano, a porcentagem não consegue alcançar 1%. A demanda por transporte aéreo continuará crescendo. Isso significa que aeronaves mais eficientes e combustíveis menos intensivos em carbono podem reduzir as emissões de cada voo, sem necessariamente reduzir as emissões totais do setor. Em outras palavras, descarbonizar um voo não é o mesmo que descarbonizar a aviação — uma narrativa que raramente fica clara nas mídias que promovem essas inovações. O relatório Greenwashing the Skies questiona a forma como essas inovações são apresentadas ao público. Seu argumento central é que boa parte da comunicação do setor transmite a impressão de que a sustentabilidade permitirá manter praticamente inalterado o atual modelo de crescimento da aviação, quando a literatura científica indica que as tecnologias disponíveis ainda não conseguem acompanhar a expansão da demanda. Em particular, evidências limitadas ou contestadas relacionadas às “emissões decorrentes da mudança indireta do uso da terra associadas a políticas de biocombustíveis desempenham um papel importante na determinação do desempenho climático dessas políticas.” Entre as principais preocupações está a possibilidade de que o aumento da demanda por biocombustíveis impulsione a expansão de áreas agrícolas, provocando emissões adicionais de CO₂ à medida que florestas e solos perdem parte de seus estoques naturais de carbono. É necessário conciliar essas observações científicas com a realidade econômica da indústria. No entanto, esse debate costuma ser evitado, pois uma discussão séria sobre os limites ambientais da aviação inevitavelmente levanta a possibilidade de restringir o crescimento do setor. Afinal, uma estratégia climática realista necessariamente passa por voar menos. Essa discussão torna-se ainda mais evidente quando se observa o mercado de jatos privados. Embora representem uma parcela pequena do número total de voos, pesquisas do International Council on Clean Transportation (ICCT) e da organização Transport & Environment mostram que jatos privados apresentam emissões por passageiro muito superiores às da aviação comercial. O impacto climático, portanto, não decorre apenas do tipo de combustível utilizado, mas também da baixa ocupação das aeronaves e do elevado consumo energético por passageiro transportado. Mesmo assim, a comunicação ambiental nesse segmento concentra-se em iniciativas como uso parcial de SAF e programas de compensação de emissões. Foi justamente nesse contexto que Taylor Swift passou a ocupar o centro desse debate público. Alguns anos atrás, a cantora foi alvo de críticas após reportagens divulgarem estimativas sobre as emissões associadas ao uso de seu jato particular. Sua equipe contestou parte desses cálculos destacando que a aeronave também era utilizada por terceiros. Paralelamente, foram divulgadas iniciativas de compensação de carbono relacionadas às turnês da artista. Assim, ela se tornou um símbolo de uma discussão mais ampla. O debate deixa de ser apenas sobre uma celebridade e passa a refletir a estratégia recorrente na comunicação climática da aviação, de enfatizar mecanismos de compensação em vez da redução direta das emissões. Estudos mostram que projetos de compensação dependem de condições rigorosas para produzir reduções reais e permanentes. Especificamente, um artigo do Nature Communications (2024) mostra que três quartos dos créditos de compensação baixados não atenderiam aos critérios de elegibilidade do CORSIA, o esquema de compensação da aviação da International Civil Aviation Organization (ICAO). Por isso, é pertinente alertar que compensações não devem ser tratadas como substitutas da diminuição efetiva das emissões provenientes da queima de combustíveis fósseis, já que introduzem “um viés de otimismo significativo.” Compensar carbono significa financiar tentativas de reduções em outro lugar. Reduzir emissões significa evitar que elas ocorram. Essa distinção ajuda a explicar por que a indústria costuma dedicar mais atenção ao desenvolvimento de combustíveis sustentáveis e mecanismos de compensação do que à possibilidade de incentivar as pessoas a voarem menos. Do ponto de vista econômico, companhias aéreas, fabricantes de aeronaves, aeroportos e empresas de leasing encorajam o crescimento contínuo da demanda. Seu modelo de negócios baseia-se em transportar cada vez mais passageiros, abrir novas rotas e aumentar a utilização da frota. Nesse contexto, tecnologias que prometem compatibilizar crescimento econômico e redução das emissões são naturalmente mais atraentes do que políticas voltadas à contenção da demanda. O conflito estrutural de incentivos é que o mesmo setor responsável por desenvolver soluções para reduzir seu impacto ambiental também depende financeiramente da expansão contínua da atividade que gera esse impacto. Por essa razão, a avaliação da sustentabilidade da aviação não pode depender exclusivamente das promessas da própria indústria. Ela precisa ser confrontada com evidências independentes sobre disponibilidade de combustíveis, evolução tecnológica, crescimento da demanda e emissões efetivamente observadas. Se a transição energética da aviação estivesse suficientemente avançada, crises — guerras — envolvendo petróleo tenderiam a exercer influência cada vez menor sobre o setor. O que ocorreu foi o oposto. Bastou o risco de interrupção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Hormuz para que companhias aéreas, investidores e governos voltassem imediatamente sua atenção ao preço do barril. Essa reação dos mercados mostrou que, apesar dos avanços tecnológicos e das metas climáticas anunciadas, a aviação permanece profundamente dependente dos combustíveis fósseis e da estabilidade geopolítica das regiões produtoras de petróleo. A principal contribuição do Greenwashing the Skies não é desqualificar tecnologias sustentáveis — pelo contrário. O alerta é que enquanto o crescimento da aviação continuar superando a velocidade de implantação dessas tecnologias, e enquanto crises geopolíticas continuarem determinando o custo do combustível que movimenta os aviões, será difícil sustentar a ideia de que a indústria já encontrou um caminho seguro para uma aviação verdadeiramente sustentável. _______ Escrito por Mirna Wabi-Sabi Fotografado por Fabio Teixeira
- O novo fluxo de conhecimento
Como a IA, a filantropia e a mídia “perene” estão remodelando o trabalho intelectual Leia também na Le Monde. Enquanto as empresas de IA se beneficiam de ecossistemas digitais, quem mais se beneficia com elas? A popularização da inteligência artificial está remodelando não apenas a tecnologia, mas também a economia da produção de conhecimento. Além do entretenimento e da opinião, o conteúdo da internet cada vez mais valorizado é a informação estruturada, explicativa e continuamente atualizada, que pode ser facilmente analisada por sistemas de IA. Nesse cenário emergente, projetos inspirados na Wikipédia ocupam uma posição particularmente estratégica. Eles produzem conhecimento humano organizado em um formato ideal para o aprendizado de máquina. Enquanto as empresas de IA se beneficiam desses ecossistemas digitais, quem mais se beneficia com elas? A Wikipédia é o exemplo mais claro dessa transformação. A Fundação Wikimedia recebeu doações de grandes empresas de tecnologia, incluindo Google, Microsoft, Apple, GitHub, Adobe e outras. Mais recentemente, a Wikimedia formalizou relações comerciais com empresas de IA por meio da Wikimedia Enterprise, licenciando acesso estruturado aos seus dados para empresas como Microsoft, Meta, Amazon, Perplexity e Mistral AI. “O Wikimedia Enterprise não se trata apenas de fazer com que as empresas de tecnologia paguem pelo seu uso; ele também lhes fornece acesso aos projetos da Wikimedia em um volume e velocidade projetados para atender às suas necessidades de dados.” Uma interpretação é que a Wikipédia se tornou infraestrutura para a economia da IA. Grandes modelos de linguagem dependem fortemente de quantidades massivas de informações limpas, escritas por humanos e atualizadas com frequência, e a Wikipédia está entre os repositórios mais confiáveis e legíveis por máquina já criados. Os próprios representantes da Wikimedia reconheceram a pressão que a coleta de dados por IA exerce sobre seus sistemas. “O conhecimento da Wikipédia para treinamento de IA aumentou a demanda por servidores e, consequentemente, os custos…” Assim, a Wikimedia está tentando garantir compensação pelo valor que as empresas de IA já extraíam gratuitamente. E suas parcerias podem representar um esforço para forçar a redistribuição num ecossistema já desigual. A produção colaborativa e aberta de conhecimento tornou-se economicamente indispensável para os sistemas de IA. O projeto Observatório (The Observatory), lançado pelo Instituto de Mídia Independente, se apresenta como uma “wiki” dedicada a conteúdo político e intelectual explicativo e atemporal. Em vez de publicar ensaios estáticos, o projeto visa criar guias continuamente atualizados que sintetizem o trabalho de acadêmicos, jornalistas e intelectuais públicos em textos explicativos acessíveis.O modelo se assemelha à Wikipédia não apenas estilisticamente, mas também estruturalmente. O conteúdo é modular, educativo, pesquisável, perene e otimizado para acessibilidade, em vez de permanência acadêmica. Na prática, isso significa traduzir trabalhos intelectuais densos em linguagem explicativa legível por máquina. A relação do projeto com a IA é abordada apenas em conversas com potenciais colaboradores e escritores. É-lhes dito que os modelos de linguagem de IA favorecem exatamente esse tipo de conteúdo – estilo wiki, continuamente atualizado, explicativo e em prosa facilmente digerível – e que essa visibilidade dentro dos sistemas de IA constitui parte da exposição que os colaboradores receberão em troca de seu trabalho intelectual. Além dos sistemas de IA se beneficiarem desse estilo de publicação, a capacidade de descoberta por IA parece estar conscientemente integrada à lógica e à proposta de valor da produção intelectual.A produção acadêmica tradicional depende de citações estáveis por meio de edições fixas e permanência em arquivos. Documentos perenes e dinâmicos complicam essa estrutura, pois os textos podem mudar com o tempo. Embora os autores possam receber créditos, a obra em si torna-se fluida. As citações tornam-se instáveis e a durabilidade histórica tradicionalmente associada à produção intelectual enfraquece. Sem mencionar que os assistentes de IA raramente citam suas fontes. Isso cria uma assimetria. Os sistemas de IA se beneficiam justamente do conteúdo explicativo dinâmico e continuamente atualizado. Mas, para acadêmicos e escritores, o valor profissional de textos instáveis e constantemente reescritos pode ser consideravelmente menor do que o de publicações fixas com valor de citação duradouro e cujos leitores têm consciência de quem estão lendo. Ou, simplesmente, estão conscientes. É por isso que a questão do trabalho se torna ainda mais evidente quando o pagamento é substituído por promessas de visibilidade. A visibilidade por meio de sistemas de IA é fundamentalmente diferente da leitura tradicional. Grandes modelos de linguagem frequentemente sintetizam informações sem preservar claramente a atribuição ou direcionar os usuários aos autores originais. Mesmo quando os sistemas de IA amplificam ideias indiretamente, o valor econômico resultante é capturado principalmente por plataformas tecnológicas, e não pelos trabalhadores intelectuais cujo trabalho aprimorou os resultados dos modelos. Essa estrutura editorial está alinhada às necessidades da indústria de IA. O ecossistema de financiamento que envolve o Instituto de Mídia Independente (Independent Media Institute, ou IMI) complica ainda mais o cenário. Bancos de dados de organizações sem fins lucrativos mostram que o IMI recebeu financiamento substancial por meio de estruturas filantrópicas com Fundos Aconselhados por Doadores, principalmente a GS Donor Advised Philanthropy Fund. Esse Fundo Filantrópico, anteriormente conhecido como Goldman Sachs Philanthropy, tornou-se um mecanismo influente na filantropia de elite, permitindo que doadores ricos recebam benefícios fiscais imediatos, ao mesmo tempo que protegem o fluxo de doações do escrutínio público. Naquele mesmo ano, um erro de divulgação do IRS (Serviço de Receita Interna Estadunidense) revelou involuntariamente vários dos principais contribuintes do Fundo Filantrópico Goldman Sachs, incluindo Steve Ballmer (ex-CEO da Microsoft), Laurene Powell Jobs (com ações significativas na Apple e na Disney) e Jan Koum (cofundador do WhatsApp). A opacidade não é acidental; o sigilo é uma das características institucionais que os fundos filantrópicos oferecem explicitamente. Consequentemente, a impossibilidade de estabelecer a intenção direta do doador não pode ser automaticamente considerada como evidência de que não existe alinhamento estrutural. Novos incentivos sistêmicos estão surgindo. A economia da IA está recompensando a produção de conteúdo intelectual simplificado, estruturado e perene, otimizado para absorção por máquinas. Projetos de mídia sem fins lucrativos, iniciativas de conhecimento aberto, capital filantrópico e corporações de IA operam dentro desse mesmo ecossistema, mesmo que suas motivações sejam diferentes. O que emerge é uma nova economia política da produção intelectual. Acadêmicos, jornalistas e pensadores públicos podem ser incentivados a reformular seus trabalhos em formatos compatíveis com IA, não porque esses formatos necessariamente atendam melhor aos leitores humanos, mas porque maximizam a descoberta, a circulação e a usabilidade por máquinas – um desdobramento da otimização para mecanismos de busca (SEO) do início dos anos 2000. Enquanto isso, os maiores ganhos econômicos podem não beneficiar os produtores de conhecimento, mas sim as empresas que constroem sistemas comerciais de IA sobre essa infraestrutura de conhecimento. Ainda não se sabe se o trabalho intelectual na era da IA permanecerá um recurso público amplamente não remunerado ou se novos modelos de propriedade, remuneração e atribuição surgirão antes que a infraestrutura do conhecimento humano seja permanentemente absorvida pelas economias de máquinas. Mirna Wabi-Sabi é escritora brasileira, editora da Sul Books e fundadora da Plataforma9. É autora do livro Anarco-transcriação e produtora de diversos outros títulos publicados pela editora P9.
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- P9 | Media Literacy
Media Literacy Course, free online course. What is Media Literacy? Once we have the ability to read and write (which is literacy), we must acquire the ability to consume and produce media in platforms with massive audiences (media literacy). PT Media Literacy What is Media Literacy? The same way we learn how to read and write text, we can learn how to interpret online content. Reading and writing are, in one way, tools for consuming and producing content, but in private. Media is the means of mass dissemination of this content. And to communicate with large amounts of people, several different avenues can be used, like radio, print publications, and the internet. Internet media is disseminated through websites, and these websites are platforms for media content. This content has an address: a link. Once we have the ability to read and write (which is literacy), we have the ability to consume and produce media in platforms with massive audiences (media literacy). Media literacy isn’t widely taught, though, not just in the internet era. We aren’t generally taught how books are published, radios are broadcasted, or how websites are built. This knowledge was often reserved for professionals in these fields, until social media democratized mass distribution of personal content (for better or for worse). Now more than ever, media literacy is a necessity for all people, of all ages. Below you will find a short course, consisting of a checklist on what to look for when consuming online content. The output of those who filled out this checklist is presented collectively in the ‘results’ section, with graphs, maps, and databases. Through this process, we train ourselves to look for relevant information, and see our individual consumption of online content in a broader context – the global online context in which we find ourselves. FORM RESULTS THE HISTORY Since the invention of the German printing press in the 15th century, which birthed the method of reproducing media on a large scale and revolutionized the consumption of information in the West, there has been false news. It was very common for these false news to be directed towards a marginalized contingent of society, such as Jewish, indigenous and black peoples. Sometimes, atrocities committed by ‘undesirable’ members of society were made up. Other times, atrocities committed by ‘desirable’ members of society were omitted. In other words, deceptive media is one that not only lies, but also omits truthful information. Because of the continued presence of falsehood in the media over the past five centuries, many journalists like to say that ‘fake news’ is not new – but it is. The term ‘fake news’ says more about the media age in which we find ourselves, than the practice of disseminating misinformation. False information has always circulated through media, but today it circulates in a particular way, with the use of new technological tools, such as social media boosts and bots. In the first half of the 20th century, the first Brazilian ‘media baron’, Assis Chateaubriand, threatened to ruin the reputations of people and companies with false news in exchange for money (essentially blackmail). Today, technological advances significantly changed the format in which these false news get disseminated, and by whom. What’s App, Facebook, Twitter, Telegram, Instagram are explosive and unprecedented formats of disseminating media. Most people are able to produce media content, and most of those who can, do it constantly. When we see news on one of these platforms, we also see who and how many people reacted to it, which influences not only what we feel about the news, but also about the others who consume it – all instantly. We can believe or stop believing something depending on who or how many people ‘shared it’ or ‘liked it’. In terms of ‘who’, it’s enough for a famous or credible person to believe and ‘share it’ for “the bewildered herd” (From Chomsky in Media Control) to follow. This is where ‘influencers’ come in. It terms of ‘how many’, a high number of shares helps the post reach a wider audience by appearing relevant to social media algorithms and to the people seeing it. That’s where bots come in. Here is an example of false news. Here (Abcnews.com.co) is an example of ‘fake news.’ One comes from a platform that still exists and lied. It’s an example of bad journalism. The other (Abcnews.com.co) doesn’t even exist as a platform, it pretends to be something it isn’t. We would not find this link by searching for it on our own, it is created to be believable on Facebook, as an ad. ‘Fake news’ sites have the specific purpose of buying ads on social media. [Note that I didn’t use a hyperlink for the fake news site, because I don’t want it as a backlink or as part of their PageRank.] THE TRUTH The starting point of truth is our subjectivity, it depends on each one’s perspective. All media produced by someone is a result of that person’s subjectivity. It’s necessary to be in contact with our own subjectivity, in order to be able to discern the veracity of what others produce. More important than finding answers, is asking the right questions. It’s okay if you can’t find the answers to all questions. The important thing is the process of research, because sometimes not finding the answer is valuable information in itself. Is the platform being as transparent as it could be? Lie or Deception? A lie is when, for example, an author invents information. An author can be deceptive or misleading without inventing anything. They may select truthful information, omit another piece of information, place these pieces out of context, and use sensational tools to provoke certain emotions in the audience. Generally, media literacy courses focus on how to identify objective and neutral journalistic language. This, however, does not exist. It is not always easy to discern sensational and misleading tools from effective or creative methods of delivering information to an audience. Some identifiable tools, even if subjective, are: – Dramatic music. – Shocking images and words. – Exclamation points. – Titles that cause fear, and pass on little information. – Titles that speak directly to you. Focusing on a guideline or checklist on how to identify ‘fake news’ can make us even more vulnerable to them. These guidelines can become new, effective tools for their dissemination. For example, if I say to you: “only trust newspapers that do not use exclamation points on titles,” this guideline can be used by any deceitful platform to gain your trust. A much stronger tool than memorizing identifiable ‘fake news’ characteristics is to have a clear sense of your own values, and political goals. ‘Fake News’, ‘bots’ and people with an interest in using these tools to steer the behavior of a wide audience, target ‘influenceable’ and undecided people. That doesn’t necessarily mean people who are on the fence about a subject. Dogmatic people are as easy to influence, because their reference of truth is outside themselves. That’s why the search for your own truth is fundamental to make ‘fake news’ ineffective, which is the most effective way to combat it. Thought, speech, and action should be one, as should your ideas, what you share with others and how you live your life. This is an exercise in balance – being open to learning new things, while not losing sight of your own truth and lived experiences. THE AUDIENCE When we produce media, we think of a target audience so that we can make it effective in delivering the message. A newspaper, for example, has an audience, and the values of each one of them exist in symbiosis. The media literacy process involves the analysis of the values of the institutions and/or people that produce media, based on the recognition of our own values as an audience. Many people who produce media on the internet are not honest, or transparent, about what their values and intentions are. There are media tactics that aim to manipulate a specific audience, that use tools that provoke targeted emotions. Art also aims to provoke emotions; academic writing is intended to be verifiable and validated. These are tools that can be used in ways that are subtle, exaggerated, effective, manipulative, untruthful, misleading, etc. Our analysis of how these tools are used depends on our understanding of how we use them ourselves, and why. What constitutes content accessible to the general public? For content to be accessible, it needs to be able to reach the audience it sets out to reach. For example, for a video to reach an Instagram audience, it needs to last a maximum of one minute, because this is (or was) the limitation of the platform visited by that audience. How to identify whether a text aims to reach a lay audience, and not just a specialized one? A person who is not specialized and has no interest in specializing in a certain area of study will spend less time reading about this subject. So, for texts to reach this audience, they must be short. Short online texts do not need an abstract, summary, numbered sections, etc. A long text is not necessarily inaccessible. Another way of identifying the level of accessibility is to recognize excessive citations/references, usually redirecting the reader to other, even longer, academic texts. Academic requirements reflect the audience that the author intended to reach. Specific acronyms and terms have the same function. To reach a lay audience, terms must be defined, and acronyms that aren’t widespread in popular culture must be spelled out the first time they are mentioned. FBI or CIA, for example, are not acronyms that need to be spelled out, but NCI does. GLOSSARY Audience (in media) – “A media audience may be as small as one person reading a magazine or as large as billions of people around the world watching events, like 9/11, unfold live on television. Audiences have a complex relationship with the products they consume.” (New Zealand’s Ministry of Education) ‘Bot’ (on social media) – “is an agent that communicates more or less autonomously on social media, often with the task of influencing the course of discussion and/or the opinions of its readers. It is related to chatbots but mostly only uses rather simple interactions or no reactivity at all.” (Wikipedia) Dogma – “a principle or set of principles laid down by an authority as incontrovertibly true.” (Oxford Languages) ‘Fake News’ – “is a form of news consisting of deliberate disinformation or hoaxes spread via traditional news media or online social media.” (Wikipedia) Media – “the main means of mass communication (broadcasting, publishing, and the Internet) regarded collectively.” (Oxford Languages) Sensationalism – “(especially in journalism) the use of exciting or shocking stories or language at the expense of accuracy, in order to provoke public interest or excitement.” (Oxford Languages) Social Media – “websites and applications that enable users to create and share content or to participate in social networking.” (Oxford Languages) Form Results
- P9 | Podcast (English)
Neste podcast, Mirna Wabi-Sabi, idealizadora e fundadora da iniciativa, conversa com pessoas colaboradoras e convidadas sobre diversos artigos e projetos da Plataforma9. PT Guest appearances
- P9 | Time ◣ Team
Os prêmios e palestras da Plataforma9. Prêmios ◣ Awards 2021 "Brasil, Entre A Vida E A Morte " 38º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo Segundo lugar na categoria fotografia 2022 “A narrativa desumanizante em torno dos assassinatos policiais no Rio de Janeiro” 44.º Prêmio Vladimir Herzog Menção honrosa 39º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo Primeiro lugar 2023 "Chacina Não Garante Segurança" 40º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo Menção honrosa 2024 "Entre a vida e a morte nas ruas" Artigo: "Os Desabrigados da Humanidade” Prêmio Portfólio FotoDoc 2024 2025 "Os Desabrigados da Humanidade” Prêmio Rei da Espanha de Jornalismo Internacional "A Militarização Que Agride A Gestão Educacional No Rio De Janeiro” 42º Prêmio Direitos Humanos De Jornalismo 2026 "Os Desabrigados da Humanidade” 12ª edição do Prêmio Anamatra de Direitos Humanos Palestras ◣ Lectures Formativo de Editores Iniciantes – FEI [Módulo 4] Edição: Publicações Multilíngues Projeto: Tramas da Edição (Lei Paulo Gustavo / Secretaria de Cultura e Indústria Criativa do Estado de São Paulo) Online, janeiro–fevereiro, 2025 Publicar é Resistir: O papel das pequenas editoras na diversidade literária Casa da Leitura e do Conhecimento Bienal do Livro Rio de Janeiro, 19 de junho, 2025 Editar é Criar: O trabalho invisível no Livro Casa da Leitura e do Conhecimento FLIP Paraty, 1 de agosto de 2025 Minisseminario "Petróleo, Meio Ambiente e Soberania" Na SEPE-RJ Organizado pela Sindipetro Rio de Janeiro, 17 de setembro de 2026

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