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  • O novo fluxo de conhecimento

    Como a IA, a filantropia e a mídia “perene” estão remodelando o trabalho intelectual Leia também na Le Monde. Enquanto as empresas de IA se beneficiam de ecossistemas digitais, quem mais se beneficia com elas? A popularização da inteligência artificial está remodelando não apenas a tecnologia, mas também a economia da produção de conhecimento. Além do entretenimento e da opinião, o conteúdo da internet cada vez mais valorizado é a informação estruturada, explicativa e continuamente atualizada, que pode ser facilmente analisada por sistemas de IA. Nesse cenário emergente, projetos inspirados na Wikipédia ocupam uma posição particularmente estratégica. Eles produzem conhecimento humano organizado em um formato ideal para o aprendizado de máquina. Enquanto as empresas de IA se beneficiam desses ecossistemas digitais, quem mais se beneficia com elas? A Wikipédia é o exemplo mais claro dessa transformação. A Fundação Wikimedia recebeu doações de grandes empresas de tecnologia, incluindo Google, Microsoft, Apple, GitHub, Adobe e outras. Mais recentemente, a Wikimedia formalizou relações comerciais com empresas de IA por meio da Wikimedia Enterprise, licenciando acesso estruturado aos seus dados para empresas como Microsoft, Meta, Amazon, Perplexity e Mistral AI. “O Wikimedia Enterprise não se trata apenas de fazer com que as empresas de tecnologia paguem pelo seu uso; ele também lhes fornece acesso aos projetos da Wikimedia em um volume e velocidade projetados para atender às suas necessidades de dados.” Uma interpretação é que a Wikipédia se tornou infraestrutura para a economia da IA. Grandes modelos de linguagem dependem fortemente de quantidades massivas de informações limpas, escritas por humanos e atualizadas com frequência, e a Wikipédia está entre os repositórios mais confiáveis e legíveis por máquina já criados. Os próprios representantes da Wikimedia reconheceram a pressão que a coleta de dados por IA exerce sobre seus sistemas. “O conhecimento da Wikipédia para treinamento de IA aumentou a demanda por servidores e, consequentemente, os custos…” Assim, a Wikimedia está tentando garantir compensação pelo valor que as empresas de IA já extraíam gratuitamente. E suas parcerias podem representar um esforço para forçar a redistribuição num ecossistema já desigual. A produção colaborativa e aberta de conhecimento tornou-se economicamente indispensável para os sistemas de IA. O projeto Observatório (The Observatory), lançado pelo Instituto de Mídia Independente, se apresenta como uma “wiki” dedicada a conteúdo político e intelectual explicativo e atemporal. Em vez de publicar ensaios estáticos, o projeto visa criar guias continuamente atualizados que sintetizem o trabalho de acadêmicos, jornalistas e intelectuais públicos em textos explicativos acessíveis.O modelo se assemelha à Wikipédia não apenas estilisticamente, mas também estruturalmente. O conteúdo é modular, educativo, pesquisável, perene e otimizado para acessibilidade, em vez de permanência acadêmica. Na prática, isso significa traduzir trabalhos intelectuais densos em linguagem explicativa legível por máquina. A relação do projeto com a IA é abordada apenas em conversas com potenciais colaboradores e escritores. É-lhes dito que os modelos de linguagem de IA favorecem exatamente esse tipo de conteúdo – estilo wiki, continuamente atualizado, explicativo e em prosa facilmente digerível – e que essa visibilidade dentro dos sistemas de IA constitui parte da exposição que os colaboradores receberão em troca de seu trabalho intelectual. Além dos sistemas de IA se beneficiarem desse estilo de publicação, a capacidade de descoberta por IA parece estar conscientemente integrada à lógica e à proposta de valor da produção intelectual.A produção acadêmica tradicional depende de citações estáveis por meio de edições fixas e permanência em arquivos. Documentos perenes e dinâmicos complicam essa estrutura, pois os textos podem mudar com o tempo. Embora os autores possam receber créditos, a obra em si torna-se fluida. As citações tornam-se instáveis e a durabilidade histórica tradicionalmente associada à produção intelectual enfraquece. Sem mencionar que os assistentes de IA raramente citam suas fontes. Isso cria uma assimetria. Os sistemas de IA se beneficiam justamente do conteúdo explicativo dinâmico e continuamente atualizado. Mas, para acadêmicos e escritores, o valor profissional de textos instáveis e constantemente reescritos pode ser consideravelmente menor do que o de publicações fixas com valor de citação duradouro e cujos leitores têm consciência de quem estão lendo. Ou, simplesmente, estão conscientes. É por isso que a questão do trabalho se torna ainda mais evidente quando o pagamento é substituído por promessas de visibilidade. A visibilidade por meio de sistemas de IA é fundamentalmente diferente da leitura tradicional. Grandes modelos de linguagem frequentemente sintetizam informações sem preservar claramente a atribuição ou direcionar os usuários aos autores originais. Mesmo quando os sistemas de IA amplificam ideias indiretamente, o valor econômico resultante é capturado principalmente por plataformas tecnológicas, e não pelos trabalhadores intelectuais cujo trabalho aprimorou os resultados dos modelos. Essa estrutura editorial está alinhada às necessidades da indústria de IA. O ecossistema de financiamento que envolve o Instituto de Mídia Independente (Independent Media Institute, ou IMI) complica ainda mais o cenário. Bancos de dados de organizações sem fins lucrativos mostram que o IMI recebeu financiamento substancial por meio de estruturas filantrópicas com Fundos Aconselhados por Doadores, principalmente a GS Donor Advised Philanthropy Fund. Esse Fundo Filantrópico, anteriormente conhecido como Goldman Sachs Philanthropy, tornou-se um mecanismo influente na filantropia de elite, permitindo que doadores ricos recebam benefícios fiscais imediatos, ao mesmo tempo que protegem o fluxo de doações do escrutínio público. Naquele mesmo ano, um erro de divulgação do IRS (Serviço de Receita Interna Estadunidense) revelou involuntariamente vários dos principais contribuintes do Fundo Filantrópico Goldman Sachs, incluindo Steve Ballmer (ex-CEO da Microsoft), Laurene Powell Jobs (com ações significativas na Apple e na Disney) e Jan Koum (cofundador do WhatsApp). A opacidade não é acidental; o sigilo é uma das características institucionais que os fundos filantrópicos oferecem explicitamente. Consequentemente, a impossibilidade de estabelecer a intenção direta do doador não pode ser automaticamente considerada como evidência de que não existe alinhamento estrutural. Novos incentivos sistêmicos estão surgindo. A economia da IA está recompensando a produção de conteúdo intelectual simplificado, estruturado e perene, otimizado para absorção por máquinas. Projetos de mídia sem fins lucrativos, iniciativas de conhecimento aberto, capital filantrópico e corporações de IA operam dentro desse mesmo ecossistema, mesmo que suas motivações sejam diferentes. O que emerge é uma nova economia política da produção intelectual. Acadêmicos, jornalistas e pensadores públicos podem ser incentivados a reformular seus trabalhos em formatos compatíveis com IA, não porque esses formatos necessariamente atendam melhor aos leitores humanos, mas porque maximizam a descoberta, a circulação e a usabilidade por máquinas – um desdobramento da otimização para mecanismos de busca (SEO) do início dos anos 2000. Enquanto isso, os maiores ganhos econômicos podem não beneficiar os produtores de conhecimento, mas sim as empresas que constroem sistemas comerciais de IA sobre essa infraestrutura de conhecimento. Ainda não se sabe se o trabalho intelectual na era da IA permanecerá um recurso público amplamente não remunerado ou se novos modelos de propriedade, remuneração e atribuição surgirão antes que a infraestrutura do conhecimento humano seja permanentemente absorvida pelas economias de máquinas. Mirna Wabi-Sabi é escritora brasileira, editora da Sul Books e fundadora da Plataforma9. É autora do livro Anarco-transcriação e produtora de diversos outros títulos publicados pela editora P9.

  • Fernanda Young: O Feminismo Alimenta o Machismo?

    Fernanda Young, em sua análise sobre o feminismo, ignorou variáveis que não a serviam em sua viajem pelo controverso de alto ibope. [Este artigo foi publicado em fevereiro de 2020, no site da Inimiga da Rainha.] Fernanda Young foi uma escritora e roteirista da Globo com seu marido. Ano passado [2019], ela faleceu inesperadamente, deixando três filhas e um filho. Esse ano [2020], me deparei com o livro dela de dois anos atrás, “Pós-F: Para além do masculino e feminino,” na Livraria Cultura em São Paulo, e me surpreendi com sua falta de tato em relação ao feminismo. Sua morte, mesmo sendo trágica, não pode se tornar uma oportunidade para ignorar seu legado problemático na construção de um pensamento coletivo Brasileiro onde o feminismo é difamado. Fernanda Young foi uma Rainha que deturpou conceitos abordados por muitas Inimigas do sistema que vieram antes dela. No sistema patriarcal, o homem também sofre, e isso não quer dizer que vamos descartar o feminismo. Mulheres feministas negras abordam o tema dos homens sofrerem neste sistema há décadas. Porém, eu diria que ‘homens sofrem também’ é usado para descartar o feminismo da mesma forma que ‘brancos são pobres também’ é usado para descartar o racismo. A escrita de Young é gostosa, mas a linha de raciocínio é vergonhosa. Ainda bem que no prefácio ela admite: “Achava que deveria partilhar a minha liberdade, inclusive de falar merda — coisa para qual tenho uma técnica, e afeto.” Mas é muita merda mesmo. Começando com: “O feminismo alimenta o machismo.” O machismo existia antes do feminismo, e se alimentava como? Vamos falar de todas as outras coisas que de fato alimentam o machismo? Como, por exemplo, muitos programas de TV…? Se não, nos afundamos na lógica que leva muitos a serem contra a vacina porque já aconteceu [talvez] que causou autismo em alguém. Já aconteceu que uma mulher mentiu e levou alguém a rejeitar o feminismo? Provável. Mas isso explica o machismo? Não. Isso justifica ignorar e rejeitar todos os exemplos de como o feminismo já salvou muitas vidas? Também não. Outro absurdo no livro dela é a transfobia. Para Young só existiam dois gêneros, e querer “mudar de sexo” era uma “precipitação,” porque a sexualidade não precisa disso — basta explorar melhor o seu corpo. É muita ignorância; está claro que ela se preocupou em escrever sobre pessoas trans sem nunca se preocupar em conversar com uma. Conversar e ouvir. Que editor passou o olho naquele capítulo e não se lembrou de avisar que sexualidade e identidade de gênero são coisas diferentes? Talvez tentaram em vão, recebendo a resposta: ‘Censura, jamais!’ E continua… Fernanda diz que já teve namorada e teve amigos gays, então homofobia não é a questão — se precisa ser falado, amigas, já deu ruim. A nudez da mulher virou um tópico contorcido. Para Young, na arte ela deveria ser vista como empoderadora. Porque evidentemente a mulher é “mais bela e interessante” do que o homem. Não querer ser rotineiramente retratada de forma sexualizada não significa machismo internalizado e rejeição do feminino. Por outro lado, se você usa “biquíni enfiado na bunda” tem que esperar receber cantada, como se não fosse assédio, porque é mais vulgar do que a nudez. Essa conclusão vem da premissa de que a nudez é arte e biquininho é erótico, que nos traz a questão mal resolvida de classe. O corpo sofisticado merecedor de admiração, versus o corpo vulgar merecedor de erotização. Além de classismo, a branquitude do texto emana quando ela fala dos horrores de ter que participar de reuniões de condomínio e de sua revolta contra o trabalho doméstico. Além disso, ela fez questão de dedicar um capítulo inteiro ao dado de que mulheres a assediavam mais do que homens, chamado “tudo agora é assédio.” A experiência pessoal de Young diz muito mais sobre ela do que sobre o comportamento dos outros. Será que ela contestaria os dados indicando que homens cis estupram e matam consideravelmente mais do que mulheres? Será que precisamos dos dados para saber que isso é verdade? Estes questionamentos não cabem na linha reta de raciocínio em direção à deslegitimação do feminismo. Minha discordância não é uma agressão, mas uma defesa de uma luta que não é de uma minoria. Até concordo com as críticas ao #feminismo diluído no fluxo das redes sociais. Mas devemos estar atentos a conclusões baseadas em uma única premissa duvidosa. Fernanda Young, em sua análise sobre o feminismo, ignorou variáveis que não a serviam em sua viajem pelo controverso de alto ibope. ______ texto: Mirna Wabi-Sabi

  • Fukuoka: ‘Não há lugar melhor do que este mundo’

    Aos meus leitores, Não há lugar melhor do que este mundo. Anos atrás, percebi que nós, seres humanos, somos bons exatamente como somos e decidi aproveitar a vida. Segui um caminho despreocupado de volta à natureza, livre do conhecimento e do esforço humanos. Desde então, cinquenta anos da minha vida se passaram voando. Tive alguns sucessos, mas também fracassos. Muitos dos meus sonhos de juventude permanecem não realizados. Sei que meu tempo aqui na Terra é limitado. Agora estou aposentado e vivo em uma cabana na montanha, em meio ao pomar. Fechei minha fazenda ao público para que eu possa aproveitar melhor o tempo que me resta. A melhor parte de viver uma vida de aposentado na montanha, isolado das notícias do mundo exterior, é que tenho uma percepção diferente do tempo. Espero, com o passar dos dias, poder vivenciar um dia como se fosse um ano. Então, como as pessoas das tribos que conheci na Somália, não saberei quantos anos tenho. Ultimamente, tenho tentado imaginar que tenho cem anos… ou até duzentos. Espero que, quando eu partir, minha mente e meu corpo ainda estejam em boas condições. Quando vou para o campo ou para o pomar, digo a mim mesmo: não faça promessas, esqueça o ontem, não pense no amanhã, dedique-se sinceramente ao trabalho de cada dia e não deixe pegadas aqui na Terra. Sou feliz simplesmente por trabalhar com alegria na minha fazenda, que para mim é o Jardim do Éden. O caminho da agricultura natural é para sempre incompleto. A natureza jamais poderá ser compreendida ou aprimorada pelo esforço humano. No fim, para se tornar um com a natureza, para viver com Deus, não se pode ajudar os outros nem receber ajuda deles. Só podemos trilhar nossos caminhos sozinhos. Grande estrada sem portão, não vejo ninguém Paz no Céu, apenas um murmúrio na terra Quem faz o vento errante? Para a esquerda, para a direita Ataque e defesa Sem saber o bem do mal Um ventilador sopra para os dois lados, causando a mesma confusão Enquanto caminho sozinho pelo jardim, vejo uma cabana improvisada Um dia equivale a cem anos O daikon e a mostarda estão em plena floração A lua brilha fracamente no ano dois mil Tendo me esforçado ao máximo neste mundo, inicio agora minha jornada para outro mundo Uma viagem passageira para sabe-se lá onde Masanobu Fukuoka Início da Primavera, 1986 [Tradução por Mirna Wabi-Sabi, Outono, 2026. Direitos Reservados — Plataforma9.] A Revolução de Uma Palha ganha primeira edição oficial no Brasil e chega com circuito entre Rio e São Paulo Clássico da Agricultura Natural, livro de Masanobu Fukuoka será lançado com eventos, oficinas e debates em maio e junho Após décadas circulando no Brasil em traduções informais, o clássico A Revolução de Uma Palha ganha sua primeira edição oficial brasileira no Outono de 2026. Referência mundial da Agricultura Natural, o livro de Masanobu Fukuoka chega acompanhado do Circuito da Agricultura Natural, série de cinco encontros entre Rio de Janeiro e São Paulo, entre maio e junho. Publicado originalmente nos anos 1970, o livro sintetiza a experiência radical de Fukuoka, que abandonou a carreira científica para desenvolver um método agrícola baseado no não-fazer e na não-intervenção: sem arar, sem adubos químicos, sem agrotóxicos, sem degradar a terra. Seus resultados, mais eficientes do que os da agricultura convencional, transformaram a obra em um marco global da agroecologia e da crítica ao modelo industrial de produção de alimentos. A edição brasileira foi produzida pela Plataforma9 e a Trovão Tropical, e traduzida por Mirna Wabi-Sabi a partir da versão em inglês de Larry Korn, discípulo de Fukuoka. Além dos lançamentos e rodas de conversa, o circuito contará com oficinas de bombas de sementes e trocas de sementes nativas, propondo a Agricultura Natural não apenas como teoria, mas como prática acessível em contextos urbanos e rurais. Programação Rio de Janeiro 22/05 — Janela Livraria (Jardim Botânico), 19h Mesa de conversa com Matheus Pockstaller (Trovão Tropical) e Mirna Wabi-Sabi. 28/05 — Travessa Icaraí (Niterói), 18h30 Apresentação e bate-papo com Mirna Wabi-Sabi, Matheus Pockstaller e convidado. São Paulo 06 e 07/06 — Japan House (Av. Paulista), 11h e 15h Oficina de Bomba de Sementes. 11/06 — Bibla Livraria (Vila Madalena), 19h Lançamento com mesa — Claudia Visoni (Horta das Corujas), Matheus Pockstaller e Mirna Wabi-Sabi. 13/06 — Livradia Expressão Popular/Armazém do Campo (Campos Elíseos), 15h Mesa de Debate com Thiago Luiz (Guardião de Sementes), Mirna Wabi-Sabi e Matheus Pockstaller. Masanobu Fukuoka (1913–2008) Agricultor, microbiologista e filósofo japonês, mundialmente reconhecido como precursor da Agricultura Natural e autor da obra seminal A Revolução de Uma Palha. Rejeitando os métodos agrícolas modernos dependentes de produtos químicos e maquinário pesado, ele desenvolveu o método “do-nothing” (não-fazer), baseado na intervenção humana mínima e na observação profunda dos ecossistemas. Sua filosofia, que integra práticas agrícolas a princípios espirituais e ecológicos, inspirou gerações no movimento da permacultura e continua sendo um pilar fundamental para a agricultura sustentável e a regeneração da terra em todo o mundo. Mirna Wabi-Sabi Editora, pesquisadora e anarco-transcriadora. Dirige a Plataforma9, editora independente focada em publicações que cruzam política, ecologia e linguagem. Assina a tradução de A Revolução de Uma Palha — a primeira edição oficial em português do Brasil. Voz editorial e política. Matheus Pockstaller Agricultor sintrópico, pesquisador e co-fundador da Trovão Tropical. Cresceu em São Conrado, às bordas da Floresta da Tijuca, e há oito anos desenvolve sistemas agroflorestais no Rio de Janeiro. Especialista em regeneração de solo, preservação de sementes crioulas e manejo de abelhas nativas. Voz técnica, filosófica e de campo. Sobre a Trovão Tropical Um laboratório agroecológico e estúdio criativo sediado no Rio de Janeiro, fundado por Carolina Latini e Matheus Pockstaller. Opera o Lote 18 — laboratório vivo de agrofloresta em São Conrado, no Maciço da Tijuca — e apoia o projeto Horta na Favela, na Rocinha. Articula ecologia, cultura e design como alternativa concreta ao Antropoceno. Entre seus projetos está o Seeds Collective, uma iniciativa de pesquisa e catalogação artística de sementes florestais e crioulas guardadas por gerações por pequenos produtores, povos indígenas e comunidades quilombolas em todo o Brasil. Instagram: @trovao_tropical | @seedsandtales_ contato@trovaotropical.com Sobre a Plataforma9 Uma iniciativa editorial que realiza publicações políticas multilíngues, dirigida pela escritora e anarco-transcriadora Mirna Wabi-Sabi. Dedicada à inovação em comunicação multilíngue impressa e digital, publica livros bilíngues, artigos de não ficção e análise política, séries fotojornalísticas e cursos de alfabetização midiática. A missão da Plataforma9 é utilizar a narrativa para desencadear mudanças construtivas na sociedade. Instagram: @plataforma9p9 | plataforma9p9@pm.me

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  • P9 | Media Literacy

    Media Literacy Course, free online course. What is Media Literacy? Once we have the ability to read and write (which is literacy), we must acquire the ability to consume and produce media in platforms with massive audiences (media literacy). PT Media Literacy What is Media Literacy? The same way we learn how to read and write text, we can learn how to interpret online content. Reading and writing are, in one way, tools for consuming and producing content, but in private. Media is the means of mass dissemination of this content. And to communicate with large amounts of people, several different avenues can be used, like radio, print publications, and the internet. Internet media is disseminated through websites, and these websites are platforms for media content. This content has an address: a link. Once we have the ability to read and write (which is literacy), we have the ability to consume and produce media in platforms with massive audiences (media literacy). Media literacy isn’t widely taught, though, not just in the internet era. We aren’t generally taught how books are published, radios are broadcasted, or how websites are built. This knowledge was often reserved for professionals in these fields, until social media democratized mass distribution of personal content (for better or for worse). Now more than ever, media literacy is a necessity for all people, of all ages. Below you will find a short course, consisting of a checklist on what to look for when consuming online content. The output of those who filled out this checklist is presented collectively in the ‘results’ section, with graphs, maps, and databases. Through this process, we train ourselves to look for relevant information, and see our individual consumption of online content in a broader context – the global online context in which we find ourselves. FORM RESULTS THE HISTORY Since the invention of the German printing press in the 15th century, which birthed the method of reproducing media on a large scale and revolutionized the consumption of information in the West, there has been false news. It was very common for these false news to be directed towards a marginalized contingent of society, such as Jewish, indigenous and black peoples. Sometimes, atrocities committed by ‘undesirable’ members of society were made up. Other times, atrocities committed by ‘desirable’ members of society were omitted. In other words, deceptive media is one that not only lies, but also omits truthful information. Because of the continued presence of falsehood in the media over the past five centuries, many journalists like to say that ‘fake news’ is not new – but it is. The term ‘fake news’ says more about the media age in which we find ourselves, than the practice of disseminating misinformation. False information has always circulated through media, but today it circulates in a particular way, with the use of new technological tools, such as social media boosts and bots. In the first half of the 20th century, the first Brazilian ‘media baron’, Assis Chateaubriand, threatened to ruin the reputations of people and companies with false news in exchange for money (essentially blackmail). Today, technological advances significantly changed the format in which these false news get disseminated, and by whom. What’s App, Facebook, Twitter, Telegram, Instagram are explosive and unprecedented formats of disseminating media. Most people are able to produce media content, and most of those who can, do it constantly. When we see news on one of these platforms, we also see who and how many people reacted to it, which influences not only what we feel about the news, but also about the others who consume it – all instantly. We can believe or stop believing something depending on who or how many people ‘shared it’ or ‘liked it’. In terms of ‘who’, it’s enough for a famous or credible person to believe and ‘share it’ for “the bewildered herd” (From Chomsky in Media Control) to follow. This is where ‘influencers’ come in. It terms of ‘how many’, a high number of shares helps the post reach a wider audience by appearing relevant to social media algorithms and to the people seeing it. That’s where bots come in. Here is an example of false news. Here (Abcnews.com.co) is an example of ‘fake news.’ One comes from a platform that still exists and lied. It’s an example of bad journalism. The other (Abcnews.com.co) doesn’t even exist as a platform, it pretends to be something it isn’t. We would not find this link by searching for it on our own, it is created to be believable on Facebook, as an ad. ‘Fake news’ sites have the specific purpose of buying ads on social media. [Note that I didn’t use a hyperlink for the fake news site, because I don’t want it as a backlink or as part of their PageRank.] THE TRUTH The starting point of truth is our subjectivity, it depends on each one’s perspective. All media produced by someone is a result of that person’s subjectivity. It’s necessary to be in contact with our own subjectivity, in order to be able to discern the veracity of what others produce. More important than finding answers, is asking the right questions. It’s okay if you can’t find the answers to all questions. The important thing is the process of research, because sometimes not finding the answer is valuable information in itself. Is the platform being as transparent as it could be? Lie or Deception? A lie is when, for example, an author invents information. An author can be deceptive or misleading without inventing anything. They may select truthful information, omit another piece of information, place these pieces out of context, and use sensational tools to provoke certain emotions in the audience. Generally, media literacy courses focus on how to identify objective and neutral journalistic language. This, however, does not exist. It is not always easy to discern sensational and misleading tools from effective or creative methods of delivering information to an audience. Some identifiable tools, even if subjective, are: – Dramatic music. – Shocking images and words. – Exclamation points. – Titles that cause fear, and pass on little information. – Titles that speak directly to you. Focusing on a guideline or checklist on how to identify ‘fake news’ can make us even more vulnerable to them. These guidelines can become new, effective tools for their dissemination. For example, if I say to you: “only trust newspapers that do not use exclamation points on titles,” this guideline can be used by any deceitful platform to gain your trust. A much stronger tool than memorizing identifiable ‘fake news’ characteristics is to have a clear sense of your own values, and political goals. ‘Fake News’, ‘bots’ and people with an interest in using these tools to steer the behavior of a wide audience, target ‘influenceable’ and undecided people. That doesn’t necessarily mean people who are on the fence about a subject. Dogmatic people are as easy to influence, because their reference of truth is outside themselves. That’s why the search for your own truth is fundamental to make ‘fake news’ ineffective, which is the most effective way to combat it. Thought, speech, and action should be one, as should your ideas, what you share with others and how you live your life. This is an exercise in balance – being open to learning new things, while not losing sight of your own truth and lived experiences. THE AUDIENCE When we produce media, we think of a target audience so that we can make it effective in delivering the message. A newspaper, for example, has an audience, and the values of each one of them exist in symbiosis. The media literacy process involves the analysis of the values of the institutions and/or people that produce media, based on the recognition of our own values as an audience. Many people who produce media on the internet are not honest, or transparent, about what their values and intentions are. There are media tactics that aim to manipulate a specific audience, that use tools that provoke targeted emotions. Art also aims to provoke emotions; academic writing is intended to be verifiable and validated. These are tools that can be used in ways that are subtle, exaggerated, effective, manipulative, untruthful, misleading, etc. Our analysis of how these tools are used depends on our understanding of how we use them ourselves, and why. What constitutes content accessible to the general public? For content to be accessible, it needs to be able to reach the audience it sets out to reach. For example, for a video to reach an Instagram audience, it needs to last a maximum of one minute, because this is (or was) the limitation of the platform visited by that audience. How to identify whether a text aims to reach a lay audience, and not just a specialized one? A person who is not specialized and has no interest in specializing in a certain area of study will spend less time reading about this subject. So, for texts to reach this audience, they must be short. Short online texts do not need an abstract, summary, numbered sections, etc. A long text is not necessarily inaccessible. Another way of identifying the level of accessibility is to recognize excessive citations/references, usually redirecting the reader to other, even longer, academic texts. Academic requirements reflect the audience that the author intended to reach. Specific acronyms and terms have the same function. To reach a lay audience, terms must be defined, and acronyms that aren’t widespread in popular culture must be spelled out the first time they are mentioned. FBI or CIA, for example, are not acronyms that need to be spelled out, but NCI does. GLOSSARY Audience (in media) – “A media audience may be as small as one person reading a magazine or as large as billions of people around the world watching events, like 9/11, unfold live on television. Audiences have a complex relationship with the products they consume.” (New Zealand’s Ministry of Education) ‘Bot’ (on social media) – “is an agent that communicates more or less autonomously on social media, often with the task of influencing the course of discussion and/or the opinions of its readers. It is related to chatbots but mostly only uses rather simple interactions or no reactivity at all.” (Wikipedia) Dogma – “a principle or set of principles laid down by an authority as incontrovertibly true.” (Oxford Languages) ‘Fake News’ – “is a form of news consisting of deliberate disinformation or hoaxes spread via traditional news media or online social media.” (Wikipedia) Media – “the main means of mass communication (broadcasting, publishing, and the Internet) regarded collectively.” (Oxford Languages) Sensationalism – “(especially in journalism) the use of exciting or shocking stories or language at the expense of accuracy, in order to provoke public interest or excitement.” (Oxford Languages) Social Media – “websites and applications that enable users to create and share content or to participate in social networking.” (Oxford Languages) Form Results

  • P9 | Política ◣ Policy

    A Plataforma9 publica sobre estratégias de combate às injustiças sociais e econômicas, à supremacia branca e ao patriarcado. A missão da P9 é utilizar a narrativa para desencadear movimentos construtivos em nosso mundo conturbado. Nossas Políticas ◣ Our Policies Nossos Princípios ◣ Our Principles Nossos interesses orbitam estratégias de combate às injustiças sociais e econômicas, à supremacia branca e ao patriarcado. Através da disseminação da produção intelectual de pessoas marginalizadas, e da formação midiática necessária para a criação de conteúdo, acreditamos que mudanças essenciais podem ser alcançadas na sociedade. ___________ Our interests orbit strategies to combat social and economic injustices, white supremacy and the patriarchy. Through the dissemination of the intellectual production of marginalized peoples, and the media production training necessary for the creation of content, we believe that essential changes can be achieved in society. Privacidade & Segurança ◣ Privacy & Safety A Plataforma9 não cede ou vende dados pessoais de clientes, ou parceiros, a outras companhias, indivíduos ou corporações. Você pode sempre entrar em contato conosco com um pedido de acesso, edição ou remoção de seus dados pessoais da nossa plataforma. Informações compartilhadas nas mídias sociais podem ser usadas para identificar uma audiência com interesses compatíveis com os nossos. ___________ Plataforma9 does not give or sell the personal data of our clients or partners to any other company, individual or corporation. You can always contact us with a request to access, edit, or remove your personal data from our platform. Information shared on social media can be used to identify an audience with interests compatible with ours. Revendas e Atacado ◣ Wholesale Inquiries Entre em contato conosco para saber mais sobre opções de compra em grande escala e revendas. ___________ Get in touch with us to know more about our wholesale options. Payment Method Métodos de Pagamento ◣ Payment Methods Boleto / Cartões de crédito e débito brasileiros / PayPal Internacional / PIX ___________ PayPal / Only Brazilian Credit or Debit Cards

  • P9 | Podcast (Português)

    Neste podcast, Mirna Wabi-Sabi, idealizadora e fundadora da iniciativa, conversa com pessoas colaboradoras e convidadas sobre diversos artigos e projetos da Plataforma9. EN Colaborações

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