Um Guia para Publicação Online


É evidente que fakenews têm repercussões políticas seríssimas.

Cenas de videogames foram compartilhadas nas redes sociais como cenas reais da guerra na Ucrânia. Situações como essas refletem as limitações da nossa atenção online. Será que tomamos o tempo de refletir e procurar fontes dos conteúdos midiáticos que consumimos?

Produzir conteúdo midiático é esclarecedor para consumidores de mídia. Quem publica um artigo online tende a ter instituições e pessoas profissionais que se responsabilizam por esse conteúdo — Uma editora de um jornal, o criador de um blog, etc. Essas instituições têm sites, elas pagam pelo espaço que elas ocupam na internet (como um aluguel), e nesse contrato ha nomes de pessoas responsáveis pelo conteúdo que está sendo divulgado ali. Esses sites, nos melhores casos, dizem "quem somos", "de onde somos", "como somos financiados", "quais são os nossos princípios", etc. É importante não só saber como procurar essas informações, como também reconhecer o que significa quanto elas não estão disponíveis.

Coisas postadas nas mídias sociais (facebook/instagram) são publicações e deixam de ser inéditas para outros sites de notícias que republicarem depois. Por isso, não se cobra ou paga por elas, pois a publicação original pertence à mídia social.

Para coisas inéditas, a ideia é postar no site da instituição que se propõe a publicar o conteúdo, e depois postar nas mídias sociais com o link do site original.

O ideal é que as mídias sociais sejam usadas para promover uma publicação, e não a fonte da publicação —

Já que a mídia social é uma fonte com pouca credibilidade, é instável, e fora do campo de influência direta dos autores e autoras (O site do facebook não é seu, ou da organização que se propõe a publicar o seu conteúdo).


Para Publicadores:

Garanta que todas as pessoas que aparecem nos vídeos e fotos deram permissão para serem gravadas e publicadas. Crianças precisam da permissão dos pais. Essa permissão pode ser enviada em poucas palavras no corpo de um email, por exemplo. (Se o conteúdo for importante, borre ou cubra rostos de pessoas não identificadas, ou que não tiveram a oportunidade de dar permissão.)

  • Imagens devem ter data, lugar, e crédito; uma descrição é bom, mas opcional.

O conteúdo textual deve mostrar:

  • Onde/Quando algo está acontecendo,

  • O que está acontecendo,

  • Por que isso está acontecendo,

  • Por que isso importa para quem está consumindo esse conteúdo?

OU

  • Onde você está?

  • O que você está fazendo?

  • Qual a relevância/importância disso?

Quando tomamos essas práticas de ética jornalística a sério na nossa produção de conteúdo, também esperamos o mesmo dos produtores de conteúdo que consumimos. E assim, nos tornamos consumidores de mídia mais responsáveis, e fazemos a nossa parte para combater as fakenews ao torna-las ineficazes.


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Por Mirna Wabi-Sabi, professora de alfabetização midiática e editora.